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A crise de Síndrome do Pânico

A crise de Síndrome do Pânico

A crise de Síndrome do Pânico

Como é uma crise de pânico?

O primeiro sintoma na crise de pânico é o medo intenso, um pavor enorme, paralisante, como se a morte fosse acontecer a qualquer momento.

Uma característica que distingue a SP de outros transtornos é que esses sintomas são recorrentes, a crise acontece de tempos em tempos, ela não acontece uma única vez ou esporadicamente. Outra característica é que esse pavor aparece de modo inesperado, sem aviso prévio.

Os sintomas surgem em situações específicas, em mais ou menos metade das vezes. Na outra metade, aparecem ‘do nada’: a pessoa está muito bem, ou está simplesmente dormindo, e começa a ter a reação.

As situações específicas que desencadeiam a crise de pânico são muitas vezes relacionadas a situações em que a pessoa está de algum modo encurralada, sem um lugar fácil para sair: no trânsito, metrô, teatro, cinema ou em um avião.

Outras vezes, basta estar fora de casa. O simples fato de sentir que terá dificuldade em receber ajuda, se precisar, já pode ser um bom motivo para desencadear uma crise. Quando ocorre, é comum vivenciar alguns dos sintomas abaixo, além do medo intenso:

  • Medo de morrer, perder o controle ou ficar louco;
  • Sensação de falta de ar e asfixia;
  • Tontura ou vertigem;
  • Palpitações, taquicardia, aperto no peito;
  • Tremores musculares;
  • Enjoo, diarreia;
  • Transpiração excessiva, sensações de calor ou suor frio, calafrios;
  • Sentir que vai desmaiar, perder os sentidos;
  • Formigamento ou agulhadas na pele;
  • Boca seca;
  • Sensação de perda de controle sobre o próprio corpo, das emoções e dos pensamentos;
  • Sensação de irrealidade;
  • Sensação de estar afastado do próprio corpo.

É muito interessante conhecer os sintomas que acontecem durante a crise e entender o motivo por que ocorrem.

Quando o alarme a situações de perigo — que fica no cérebro —, dispara de modo irregular, há uma liberação de vários transmissores químicos, de vários hormônios, entre eles a adrenalina, que é um hormônio que coloca em ação vários mecanismos do corpo, para nos defender de perigos. É uma sequência de reações.

Quando nosso Sistema de Respostas a Ameaças, nosso alarme a perigos, é acionado, uma série de reações acontece para colocar o organismo em condições de enfrentar o evento.

Uma das primeiras mudanças é fazer o coração bater mais rápido, já que o corpo precisará de mais sangue nos músculos para dar conta do desafio. Essa é a origem de um dos grandes sintomas que aparecem durante a crise de pânico, que é a taquicardia, a palpitação, a sensação do coração batendo rápido. Na verdade, ela ocorre para fornecer mais sangue aos músculos e enfrentar uma situação de risco.

Outra reação automática é suar, deixar a pele úmida, porque assim o inimigo potencial tem mais dificuldade em agarrar a pessoa. Eis aí mais um sintoma: a sudorese, o suor excessivo, principalmente na palma das mãos e no rosto.

A musculatura também se prepara para fugir ou lutar com “o agressor” e, assim, os músculos começam a ficar muito contraídos. Eis o motivo de, durante a crise, ocorrerem tremores e abalos musculares.

A respiração também fica afetada, superficializada, o que pode gerar a sensação de falta de ar ou sufocamento. Essa sensação pode ser confundida com um grande desconforto no peito, como uma dor ou aperto, que muitas vezes é interpretada como se houvesse algum problema no coração, uma doença cardíaca.

Em emergências, o corpo prioriza alguns órgãos e sistemas. A digestão, por exemplo, pode ficar para depois. Assim, é possível que a pessoa sinta náusea, desconforto abdominal ou até mesmo diarreia.

Como os sensores que detectam os níveis de oxigênio ficam alterados, é muito comum sentir tontura, vertigem, sensação de desmaio ou de perda dos sentidos.

Também podem surgir ondas de calor ou de frio, além de sensações de formigamento, de anestesia ou de parestesia, que é a sensação de que a pele está picando, sem que se consiga entender o motivo. Entre outros fatores, isso acontece porque o sangue da pele foi desviado para órgãos mais vitais, como a musculatura e o coração.

Esses sintomas que deveriam estar restritos a emergências acabam interferindo no estado mental da pessoa. A sensação de medo é tão intensa que pode invadir a própria capacidade de pensamento, deixando-a com grande sensação de que aquilo não é real, de que a realidade está se destacando, como se estivesse em um filme ou num sonho, sintoma que nós chamamos de “desrealização”.

Pode ocorrer também certo distanciamento da pessoa consigo mesma, como se estivesse afastada de si, fora do próprio corpo. Nós chamamos esses sintomas de “despersonalização”. Inundada por tais reações, a pessoa começa a ter medo de perder o controle e de enlouquecer.

Esses sintomas são realmente muito, muito fortes. Tão fortes que criam um estado de corpo e mente que vai ser recebido e interpretado novamente pelo cérebro, gerando novas reações de alarme, fechando e aprisionando num ciclo vicioso.

Como é o ciclo vicioso da Síndrome do Pânico

Os sintomas das crises de pânico geram uma situação extraordinariamente desagradável, o que estimula mais uma vez o alarme de perigo, criando um ciclo vicioso cada vez mais crescente.

Em outras palavras, cada crise de pânico é um novo estímulo ao Sistema de Resposta a Ameaças. Cada crise pode favorecer novas crises, já que o alarme a perigos detecta os sintomas corporais como um aviso de que algo muito sério está acontecendo, gerando novos alarmes.

Existem também consequências no comportamento. Quem sofre do problema passa a adotar medidas para evitar os sintomas, como deixar de ir muito longe de casa ou evitar lugares fechados. Desse modo, limita e empobrece a vida social e profissional cada vez mais, sentindo-se cada vez mais vulnerável, sem controle e ansioso.

O que gera isso gera? Você já pode adivinhar! Uma nova condição que estimula o sistema de alarme a perigos, fechando mais ainda o ciclo vicioso. A consequência desse conjunto de ciclos viciosos para quem sofre da SP é passar a restringir mais e mais o dia a dia.

Ansiedade Antecipatória

Com esse ciclo vicioso ininterrupto, quem sofre da SP costuma desenvolver o que chamamos de Ansiedade Antecipatória, ou seja, uma “pré-ocupação”, uma aflição de que esses sintomas podem acontecer, uma apreensão acerca do que fará em meio e após a crise. Em resumo, a pessoa fica em estado de atenção constante.

Para quem já está com o sistema de alarme desregulado, a ansiedade antecipatória estimula mais ainda o estado de alerta, como se fosse um radar que tentasse ficar o tempo todo à procura de sinais de perigo.

Essa intensa preocupação aparece em relação ao ambiente, mas principalmente em relação ao próprio corpo, a qualquer sinal e sintoma. Qualquer mudança no corpo já pode ser interpretada como: “Epa, a crise está vindo!”.

Não custa insistir: o sistema de alarme está desregulado. É como se fosse um radar que fica procurando em todos os lugares, em todas as situações, em todas as sensações corporais, os menores indícios de perigo iminente. A consequência é que muitos portadores da SP permanecem em alerta constante, com agitação interna ou externa.

As fobias podem complicar o pânico

Todos nós temos a necessidade de explicar os eventos que acontecem na vida, procuramos uma razão lógica para as coisas que estão acontecendo. O mesmo acontece na SP.

A crise pode ser desencadeada sem motivo algum, “do nada”. Na verdade, em metade dos portadores ela acontece sem motivo aparente, ou em situações específicas, como em um ônibus, metrô lotado ou no trânsito parado.

Vamos imaginar que uma pessoa tenha uma crise de pânico num shopping center. Mesmo que não exista nenhum motivo racional, nosso corpo tem a tendência a vincular a situação aos sintomas, e a partir daí há grande chance de criar um medo de entrar em centros de compra. Pronto, uma fobia foi formada.

O mecanismo da formação de uma fobia é mais ou menos assim:

  1. Em um primeiro momento, ocorrem os sintomas corporais, sem nenhuma participação dos mecanismos racionais do cérebro;
  2. Em seguida, esses sintomas passam uma mensagem poderosa ao cérebro, a de que existe um perigo naquela situação;
  3. Essa interpretação automática é armazenada como uma memória de perigo, relacionando-a ao lugar em que ocorreram os sintomas;
  4. A partir daí, o cérebro encara esse lugar como sendo perigoso;
  5. Como o sistema de alarme a perigos do cérebro está desregulado, ele passa a disparar sempre que a pessoa estiver em ambientes ou situações semelhantes;
  6. E a cada vez que esse alarme é disparado, confirma, erroneamente, que aqueles ambientes ou situações oferecem perigo, cristalizando o problema.

A partir desse momento, é como se a pessoa estivesse presa numa teia criada pelas armadilhas do cérebro. Em consequência da fobia, passa a evitar a qualquer custo o ambiente ou a situação em que ocorreu a crise, desenvolvendo o que chamamos de “evitação fóbica”.

Essa contramedida, esse comportamento de “evitação fóbica”, pode acalmar durante certo tempo, mas o sistema de alarme continua desregulado e pode criar novas conexões de perigo em outros lugares.

Além disso, muitos começam a duvidar da sua própria capacidade de enfrentar as crises por conta própria, pensando algo como “será que eu dou conta disso tudo sozinho?”. Para muitos, a conclusão é que o melhor é não ficar sem companhia.

Um novo comportamento aparece na forma do desejo de estar sempre com pessoas conhecidas por perto. Ter alguém ao redor tranquiliza, nem que seja uma criança de seis ou oito anos de idade, porque é a presença de alguém que dá segurança. Outras pessoas não deixam o celular, porque, se alguma coisa acontecer, conseguem pedir socorro.

Lugares cheios, ainda que abertos, como ruas e praças que tenham muita gente, também podem ser um problema. Esse é um fenômeno bem conhecido dos médicos. Há séculos foi chamado de Agorafobia, que significa, literalmente, Medo das Ágoras, que era o local das reuniões públicas na Grécia antiga.

Agorafobia era, originalmente, o medo de não conseguir escapar do local em caso de crise.

Atualmente o termo Agorafobia é utilizado não apenas para medo de lugares com multidão, mas para todo medo de lugares em que a saída seja mais difícil.

Veja um vídeo em que o Dr. Cyro Masci fala mais sobre medos, fobias e evitação

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