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As 7 Principais dúvidas sobre a síndrome do pânico

As 7 Principais dúvidas sobre a síndrome do pânico

As 7 Principais dúvidas sobre a síndrome do pânico

1. Síndrome do Pânico tem cura?

É complicado falar em cura para qualquer problema médico. A própria expectativa de não voltar a sentir nunca mais qualquer sintoma de alarme não é razoável.

Um objetivo mais razoável, e esse é um parâmetro que costumo convidar meus pacientes a utilizar, é observar se as crises estão mais distanciadas no tempo, se o intervalo entre elas está aumentando, se as crises estão diminuindo de intensidade e se a recuperação está sendo mais rápida.

2. A medicação alopática deixa viciado?

Existem dois tipos principais de medicação alopática utilizados com frequência.

O primeiro é um grupo de medicamentos chamados de Inibidores de Recaptação Seletiva de Serotonina, os IRSS, que foram muito bem estudados, e diversas pesquisas científicas comprovam a sua eficácia no tratamento da SP.

Os IRSS mais conhecidos no tratamento do pânico são a Paroxetina, a Sertralina, o Citalopram e o Escitalopram. Existem outros, mas cito os principais.

O que os estudos indicam é que os IRSS não têm apenas como objetivo aumentar os níveis locais do transmissor químico, eles têm também como ação normalizar a situação dos receptores, que eles estejam adequados à nova situação. Não se trata de aumentar a serotonina apenas, mas de normalizar também os receptores da célula que recebe esse neurotransmissor.

O segundo principal grupo de medicamentos alopáticos que são utilizados na Síndrome do Pânico são os benzodiazepínicos (BDZ), ou simplesmente diazepínicos. Eles podem ser utilizados de maneira isolada, mas em geral são administrados junto com os IRSS. Alguns exemplos comuns de benzodiazepínicos utilizados são o Alprazolam ou o Clonazepam. Eles devem ser ingeridos com cautela, pois a utilização sem controle pode levar à dependência.

3. Posso aumentar os remédios quando estiver me sentindo mal e diminuir quando estiver me sentindo bem?

Quanto aos antidepressivos, a resposta é taxativa: não, não pode. Um dos maiores fracassos no tratamento com essa medicação é porque alguns pacientes aumentam a dose do IRSS quando não se sentem bem e diminuem a dose quando se sentem melhor.

Esse grupo de medicamentos normaliza a situação no cérebro e não pode sofrer flutuação em sua dosagem, somente o médico é que vai poder dizer qual é a dose adequada, junto com a avaliação dos sintomas.

Em entrevista, Dr. Cyro fala sobre os riscos da automedicação

4. Que outros medicamentos podem ser utilizados?

Existem medicamentos não alopáticos que podem ser utilizados na abordagem integrativa. Esses medicamentos dificilmente substituem totalmente a alopatia, mas têm a grande vantagem de auxiliar o tratamento alopático, especialmente de reduzir a necessidade dos diazepínicos.

Um primeiro grupo muito promissor engloba alguns fitoterápicos. As plantas medicinais são utilizadas há milênios pelos seres humanos, e elas partem do seguinte princípio: as plantas, quando enfrentam o meio ambiente, são obrigadas a fabricar certas substâncias para se defender de agressores; essas substâncias podem ser muito úteis aos seres humanos.

Os fitoterápicos costumam ser utilizados em associação, não isoladamente. O objetivo é fazer uma somatória dessas substâncias, provocar uma sinergia, um aumento da ação que eles têm.

Os fitoterápicos muitas vezes são utilizados pelos médicos na forma de extrato seco, as iniciais ES podem aparecer ao lado do medicamento. Essa é uma indicação de que a erva tem uma dosagem padronizada de substâncias ativas. Em outras formas de apresentação, como a infusão (“chá”), podem ocorrer

variações na quantidade das substâncias com atividade efetiva, o que dificulta o tratamento.

Outro grupo de medicamentos vem da diluição sucessiva, ou seja, são ultradiluídos. A forma mais conhecida de medicamentos diluídos é a homeopatia, mas existem medicamentos que se valem da ultradiluição e não seguem as normas de prescrição da homeopatia tradicional.

Nem a homeopatia nem outros medicamentos ultradiluídos são do grupo dos florais, os mecanismos de funcionamento são bem diferentes. Com a homeopatia é possível ultradiluir transmissores químicos como a serotonina, a dopamina ou a noradrenalina.

O objetivo não é substituir a medicação tradicional, mas ajudar a modular os transmissores do cérebro, e assim tentar reduzir a quantidade de antidepressivos ou seus efeitos colaterais.

Existem também alguns estudos bastante promissores que avaliam a utilização concomitante de homeopáticos e fitoterápicos no combate à inflamação generalizada que pode afetar o cérebro. Esse tipo de inflamação funciona da seguinte maneira: se eu cortar meu dedo, vai ocorrer uma reação inflamatória localizada, que é muito boa, muito útil para resolver a situação. Os glóbulos brancos vão até o local do corte, o processo de cicatrização acontece, o corte cicatriza e o organismo se recupera.

Mas existem situações em que é como se o corpo não soubesse, por assim dizer, o que está acontecendo, e ele inflama como um todo, inclusive o cérebro. Essa é a Inflamação Generalizada, que pode piorar praticamente qualquer doença, inclusive a Síndrome do Pânico.

Outra linha de investigação bastante promissora relaciona-se com a biota intestinal, as bactérias que temos no intestino. Se contarmos o número total de células do corpo humano, teremos algo em torno de 3 a 4 trilhões. Cerca de 1 trilhão dessas células está dentro do intestino, sendo que 98% não são humanas, são formadas especialmente por bactérias e fungos.

Esses microrganismos estão conosco há milênios e influenciam todo o funcionamento do nosso corpo, inclusive do cérebro. Não é à toa que o intestino é chamado de “segundo cérebro”. Várias experiências científicas estão comprovando que existem certos grupos de bacilos intestinais que modificam o comportamento, favorecendo ou dificultando o funcionamento do cérebro.

Em conjunto com outras ações, as medidas de controle da biota intestinal podem ser bastante eficientes.

Outra abordagem promissora é a avaliação da intolerância a certos grupos de alimentos, ou seja, da intolerância alimentar e de como ela pode influenciar no comportamento.

Dificilmente essas substâncias sozinhas conseguem controlar uma Síndrome do Pânico. Mas, quando administradas de modo complementar ao tratamento convencional, podem ter uma utilidade fantástica.

5. Existem exames que facilitam o diagnóstico ou o tratamento?

Não existe nenhum exame específico para o diagnóstico do Transtorno de Pânico, ele é essencialmente clínico, depende da avaliação do médico. Já para o tratamento, existem avaliações relacionadas à genética que auxiliam na escolha do melhor medicamento.

O perfil farmacogenético é um exame realizado por sangue ou saliva que avalia alterações genéticas que influenciam a ação de vários medicamentos, inclusive dos psiquiátricos.
Sempre que um remédio que é eliminado pelo fígado é ingerido, podem acontecer três coisas:

  1. O remédio ser eliminado normalmente, e com isso o efeito desejado será o previsto.
  2. Pode acontecer de o remédio ser eliminado muito rapidamente. Provavelmente, será necessário aumentar a dose, pois ele não terá os níveis sanguíneos esperados.
  3. O remédio pode ser eliminado muito lentamente, e com isso haverá um acúmulo da substância ativa, aumentando os efeitos colaterais.

Pelo painel farmacogenético é possível determinar se existem mutações genéticas que modifiquem a eliminação do remédio, e com isso fica mais fácil escolher qual antidepressivo terá melhor ação para cada pessoa.

Outro teste genético é o MTHFR. Os neurotransmissores, inclusive a serotonina, exigem a presença de vitaminas do complexo B, especialmente a B9 (ácido fólico) e a B12 (cianocobalamina), para que o cérebro funcione em sua capacidade máxima. Para serem plenamente utilizadas, essas vitaminas dependerão de uma modificação química que acontece no fígado: elas deverão ser metiladas. É a forma metilada dessas vitaminas que consegue atravessar a barreira do cérebro e fazer com que elas sejam utilizadas na produção adequada dos neurotransmissores.

No fígado, quem faz esse processo de metilação é a enzima MTHFR. Esse exame avalia se existe alteração genética que indica redução de até 75 % da atividade dessa enzima, o que poderia indicar uma possível resistência à ação de medicamentos. Nessa hipótese, a suplementação da forma metilada dessas vitaminas pode facilitar a regulação dos neurotransmissores.

6. Como a família pode ajudar?

Em primeiro lugar, deve se informar, e se foi esse o seu objetivo ao ler este texto, parabéns!

Durante as crises, os familiares precisam manter a calma e a objetividade, devem falar em tom ameno, sem elevar a voz.

Precisam ter em mente o que não dizer. Ordens diretas para acalmar-se, como “relaxe” ou “reaja, você vai conseguir”, não são apenas inúteis na imensa maioria das vezes, mas podem piorar a crise.

É bom que perguntem à pessoa como podem ajudá-la. Se tiverem oportunidade, sugerir que respire de modo controlado, soltando o ar o mais devagar que conseguir. Fazer a respiração junto, além de servir de modelo, poderá ajudar a manter a calma da própria pessoa que está auxiliando.

Já fora da crise, a melhor atitude é o acolhimento e o apoio. Insistir na busca por ajuda especializada, combater qualquer tipo de preconceito, seja argumentando com lógica, seja apelando às emoções, por exemplo, mostrando notícias de famosos que enfrentaram transtornos emocionais e tornaram esse fato público.

“A melhor atitude é o acolhimento e o apoio.”
O preconceito em procurar ajuda é o pior inimigo da mente saudável, e a melhor atitude é aquela que acolhe o sofrimento sem julgar e, ao mesmo tempo, apoia a busca por tratamento eficaz.

7. Por que o Transtorno do Pânico atinge mais as mulheres?

A Síndrome do Pânico atinge cerca de 4% da população, sendo que as mulheres têm de 2 a 3 vezes mais chances de desenvolver o problema. Os motivos ainda são objeto de estudos, mas a flutuação hormonal típica das mulheres, além de fatores genéticos, deve contribuir para que sofram mais do problema.

Outros aspectos sociais e culturais, como o estado de tensão constante pelas múltiplas tarefas, ou de tratamento diferenciado no ambiente de trabalho, também podem contribuir.

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