Como melhorar seu sono: seis dicas baseadas em ciência

O sono de qualidade tem se tornado um desafio crescente na sociedade moderna. Dados alarmantes revelam que entre 50 e 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos enfrentam problemas relacionados ao sono, um cenário que também se reflete em outras partes do mundo. Para auxiliar aqueles que buscam uma noite de descanso mais efetiva, apresentamos seis estratégias cientificamente fundamentadas.

Pontos Principais:

  • O sono bifásico pode ser mais natural que dormir 8 horas seguidas
  • Sonecas de 15 minutos melhoram o desempenho cognitivo
  • A qualidade do sono é tão importante quanto a quantidade
  • O sono varia conforme as estações do ano
  • Microsonos são sinais de alerta para privação de sono
  • O ambiente adequado é fundamental para um bom descanso

Como melhorar seu sono: seis dicas baseadas em ciência

O sono de qualidade tem se tornado um desafio crescente na sociedade moderna. Dados alarmantes revelam que entre 50 e 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos enfrentam problemas relacionados ao sono, um cenário que também se reflete em outras partes do mundo. Para auxiliar aqueles que buscam uma noite de descanso mais efetiva, apresentamos seis estratégias cientificamente fundamentadas.

1. O poder do sono bifásico

Contrariando a crença popular, dormir oito horas ininterruptas pode não ser o padrão mais natural para nosso organismo. Pesquisas conduzidas pelo historiador Roger Ekirch revelaram que, historicamente, as pessoas praticavam o sono bifásico – dormiam por algumas horas, mantinham um período de vigília e depois retornavam ao sono até o amanhecer. Esta descoberta traz conforto para quem acorda durante a noite, sugerindo que este comportamento pode ser uma herança evolutiva, não necessariamente um distúrbio.

2. A ciência das sonecas curtas

As tradicionais sestas, tão comuns na cultura latina, encontram respaldo científico significativo. Pesquisas demonstram que cochilos estratégicos de 15 minutos podem potencializar as funções cognitivas e a energia por até três horas. Estudos contemporâneos indicam benefícios ainda mais surpreendentes: a prática regular de sonecas curtas pode contribuir para a saúde cerebral, possivelmente reduzindo riscos de doenças neurodegenerativas.

3. Qualidade supera quantidade

Embora as recomendações médicas apontem para 7-9 horas de sono diárias, a qualidade deste descanso merece atenção especial. Durante o sono, nosso sistema glinfático trabalha ativamente na eliminação de toxinas cerebrais. Este processo é otimizado quando mantemos uma rotina regular de sono, alinhada ao nosso ritmo circadiano natural.

4. Adaptação do sono às estações do ano

As noites mais prolongadas do outono e inverno naturalmente aumentam nossa necessidade de descanso. Durante estes períodos, as fases REM e de sono profundo se estendem, favorecendo a recuperação física e mental. É importante reconhecer e adaptar-se a estas mudanças naturais.

5. Atenção aos sinais de privação

Os microsonos – episódios involuntários e breves de sono – são indicadores importantes de privação de sono. Especialmente comuns em pessoas com sono insuficiente ou portadores de narcolepsia, estes episódios podem representar riscos significativos, principalmente durante a condução de veículos. Seu aparecimento deve ser interpretado como um sinal para reavaliar os hábitos de sono.

6. Ambiente ideal para o descanso

A evolução das tecnologias do sono nos oferece ferramentas valiosas para otimizar nosso descanso. Diferentemente de nossos antepassados, hoje podemos criar ambientes ideais para o sono, com temperatura controlada, isolamento acústico e superfícies ergonômicas. Investir na qualidade do ambiente de sono é investir em saúde e bem-estar.

A busca por um sono reparador é fundamental para nossa saúde física e mental. Ao implementar estas estratégias de forma gradual e consistente, podemos desenvolver uma relação mais harmoniosa com nosso descanso, contribuindo para uma vida mais equilibrada e saudável.


Perguntas Frequentes (FAQ):

  1. Quanto tempo devo dormir por noite?

    R: Embora a recomendação geral seja de 7 a 9 horas, a qualidade do sono é tão importante quanto a quantidade. O ideal é manter uma rotina regular que permita você acordar naturalmente e sentir-se descansado.

  2. É normal acordar no meio da noite?

    R: Sim, pesquisas históricas mostram que o sono bifásico (dividido em dois períodos) era comum em nossos antepassados. Acordar durante a noite não é necessariamente um distúrbio.

  3. Sonecas durante o dia prejudicam o sono noturno?

    R: Sonecas curtas (até 15 minutos) são benéficas e não interferem no sono noturno. Porém, cochilos longos podem dificultar o sono à noite.

  4. Por que sinto mais sono no inverno?

    R: As noites mais longas do inverno naturalmente aumentam nossa necessidade de sono. O sono REM e o sono profundo são mais prolongados nos meses escuros, sendo uma resposta natural do organismo.

  5. Como identificar se estou com privação de sono?

    R: Sinais comuns incluem microsonos (adormecer por segundos involuntariamente), irritabilidade, dificuldade de concentração e sonolência excessiva durante o dia.

  6. Qual a temperatura ideal para dormir?

    R: Estudos indicam que a temperatura ideal para o sono fica entre 18°C e 24°C. Um ambiente mais fresco favorece o início e a manutenção do sono.

Livro “Perguntas e Respostas sobre Ansiedade: informações práticas e objetivas”.

Já está disponível na Amazon o novo livro do Dr Cyro Masci “PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE ANSIEDADE: INFORMAÇÕES PRÁTICAS E OBJETIVAS”.

Ele é um guia direcionado àqueles que desejam compreender e superar a ansiedade na vida contemporânea. Com uma abordagem prática, objetiva e focada em aspectos essenciais para melhorar o bem-estar emocional, o livro oferece estratégias para enfrentar a ansiedade e seus sintomas correspondentes.

O livro, estruturado no formato de “Perguntas e Respostas”, tem o objetivo de elucidar, educar e conscientizar. Ele convida não apenas as pessoas afetadas por esse transtorno, mas também seus entes queridos e amigos, a adotar comportamentos e hábitos que ajudam a lidar com a ansiedade e os desafios emocionais que ela impõe.

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Nem todo esquecimento é devido ao Alzheimer

Ao enfrentar problemas de memória, atenção e concentração, é comum surgir a preocupação com sinais de demência, como o Alzheimer. No entanto, nem sempre essas dificuldades estão relacionadas à doença. A inflamação crônica, deficiências nutricionais, sobrecarga emocional e de trabalho, impacto pós-covid-19, intoxicação por metais pesados e a influência da epigenética desempenham um papel relevante no chamado ‘déficit cognitivo’

O Alzheimer é a principal preocupação quando lapsos de memória e dificuldades de concentração surgem, mas nem todo esquecimento está relacionado a essa doença. A preocupação tem fundamento, já que, segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 55 milhões de pessoas ao redor do mundo enfrentam alguma forma de demência, sendo o Alzheimer responsável por 60% a 70% desses casos.

No entanto, existem diversos outros motivos que podem afetar a memória e a atenção, sem estarem ligados a demências, como a inflamação crônica inespecífica, deficiências nutricionais, sobrecarga emocional e de trabalho, o impacto pós-covid-19 intoxicação por metais pesados e outros contaminantes ambientais, bem como a influência da epigenética, desempenham um papel nessas dificuldades. Compreender a importância desses fatores auxilia na prevenção e no tratamento do chamado “déficit cognitivo”.

A inflamação crônica inespecífica é um estado inflamatório persistente que pode afetar diferentes partes do corpo, inclusive o cérebro, conforme explica o psiquiatra Cyro Masci. Esse processo inflamatório pode prejudicar os processos neuronais e a comunicação entre as células cerebrais, resultando em déficits na memória, atenção e concentração. Estudos mostram que a inflamação crônica pode levar a alterações estruturais e funcionais no cérebro, danificando as células cerebrais e reduzindo a produção de neurotransmissores essenciais para a cognição.

Além da inflamação, Masci destaca que sobrecargas emocionais e biológicas provenientes do ambiente social, familiar e de trabalho podem desempenhar um papel significativo nos problemas de memória, atenção e concentração. A sobrecarga emocional crônica pode levar a uma liberação excessiva de hormônios do estresse, como o cortisol, interferindo na comunicação entre as células cerebrais. Isso pode resultar em dificuldades na formação e recuperação de memórias, além de dificuldades de concentração e atenção. Masci ressalta que relacionamentos tensos no trabalho, conflitos constantes ou problemas familiares podem criar um ambiente emocionalmente carregado, afetando a capacidade de concentração e foco. A preocupação constante com questões familiares ou problemas interpessoais pode desviar a atenção e sobrecarregar a mente, dificultando a realização de tarefas cognitivamente exigentes.

A exposição a contaminantes ambientais também pode ter um impacto significativo na memória, atenção e concentração, comprometendo a função cognitiva. De acordo com o psiquiatra Cyro Masci, metais pesados como chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio possuem propriedades neurotóxicas e podem afetar negativamente o sistema nervoso, incluindo o cérebro. Além dos metais pesados, outros contaminantes ambientais, como pesticidas, solventes orgânicos e poluentes atmosféricos, também podem ter efeitos prejudiciais sobre a função cognitiva.

Masci destaca a promissora atuação no campo da epigenética, que explora como os fatores ambientais podem afetar a expressão dos genes e influenciar o funcionamento do organismo. Nas áreas da memória, atenção e concentração, pesquisas revelam a importância crucial da regulação dos processos cognitivos. Estudos recentes apontam que as alterações na plasticidade sináptica, que é a capacidade das conexões entre os neurônios de se fortalecerem ou enfraquecerem com base na atividade neuronal, têm impacto na formação de conexões neurais em diferentes regiões cerebrais. Esses fatores desempenham um papel fundamental na consolidação e recuperação da memória, assim como na atenção e concentração.

Para Cyro Masci, a investigação das causas dos problemas de memória, atenção e concentração, e um tratamento efetivo quando necessário, são fundamentais para responder à ansiedade diante dessas dificuldades. O médico psiquiatra, que adota uma abordagem médica, ressalta a importância de considerar diversos aspectos do paciente, como seu estado emocional, estilo de vida e fatores ambientais, além de descartar fatores neurológicos que possam estar contribuindo. Dessa forma, é possível fornecer um cuidado abrangente e personalizado, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente.

Publicado em

Portal Terra, clique aqui

O Globo – clique aqui

Estadão Conteúdo – clique aqui

Agência Globo – clique aqui

 

 

A ansiedade pode levar à depressão?

(texto revisado e atualizado em junho de 2024)

Sim, a Ansiedade Generalizada (TAG) pode levar à depressão. Embora a ansiedade e a depressão sejam transtornos de humor diferentes, elas frequentemente ocorrem juntas, criando um ciclo vicioso de sofrimento emocional.

A interconexão entre ansiedade e depressão

A ansiedade pode ser um sintoma comum da depressão e, inversamente, a depressão pode ser um sintoma comum da ansiedade. A convivência prolongada com a ansiedade generalizada pode levar à exaustão emocional e física, aumentando o risco de desenvolver depressão. Imagine a ansiedade como um fogo constante queimando dentro de você; com o tempo, essa chama incessante pode consumir toda a sua energia, levando a um estado de desesperança e desamparo, característicos da depressão.

Os sintomas de ansiedade, como preocupação excessiva, irritabilidade e problemas de sono, podem interferir no funcionamento diário e prejudicar a qualidade de vida. Além disso, a ansiedade pode levar a dificuldades nas tomadas de decisão e na clareza para enfrentar problemas. Essa dificuldade aumenta o risco de fracassos nas escolhas e na resolução de problemas, o que, por sua vez, pode facilitar o surgimento de sentimentos de desesperança e impotência com a vida, tornando a depressão mais provável. É como tentar correr em uma esteira infinita sem nunca chegar a um destino, causando um desgaste mental e físico que pode desencadear a depressão.

Fatores de risco compartilhados

A ansiedade e a depressão compartilham muitos dos mesmos fatores de risco, incluindo:

Fatores biológicos: A genética pode desempenhar um papel no desenvolvimento tanto da ansiedade quanto da depressão. A predisposição genética pode criar uma base vulnerável onde qualquer um dos transtornos pode se manifestar ou coexistir.

Experiências de vida: Traumas e estresse crônico podem aumentar o risco de desenvolver ambas as condições. Experiências adversas na infância, como abuso ou negligência, podem predispor uma pessoa a desenvolver ansiedade e depressão na vida adulta.

Fatores sociais: O isolamento social, dificuldades financeiras e outros estressores sociais podem contribuir para o desenvolvimento de ansiedade e depressão.

Tratamento e manejo

A boa notícia é que tanto a ansiedade generalizada quanto a depressão podem ser tratadas com medicamentos da mesma classe, como antidepressivos. Além disso, intervenções como a psicoterapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são eficazes para ambas as condições.

Reconhecer a interconexão entre a ansiedade e a depressão é crucial para um tratamento eficaz. Buscar ajuda profissional ao perceber os sinais de ansiedade ou depressão pode impedir que uma condição agrave a outra, promovendo uma recuperação mais rápida e uma melhor qualidade de vida. Tratar a ansiedade precocemente não apenas alivia o sofrimento imediato, mas também previne o surgimento de complicações mais graves, como a depressão.

Síndrome de Burnout virou Doença Ocupacional. O que muda?

Síndrome de Burnout virou doença ocupacional. O que muda?

A partir de janeiro de 2022 o Burnout passou a ser considerado uma doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde. As implicações dessa inclusão são o assunto da entrevista que o médico psiquiatra Cyro Masci realizou no RDTv.

Síndrome de Burnout virou doença ocupacional. O que muda?

A partir de janeiro de 2022 o Burnout passou a ser considerado uma doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde. As implicações dessa inclusão são o assunto da entrevista que o médico psiquiatra Cyro Masci realizou no RDTv.

Cinco dicas para enfrentar a depressão de final de ano

As festas de final do ano em geral representam um momento de celebração e alegria, mas, para muitas pessoas, essa é uma época difícil e que pode provocar ou desencadear depressão. Esse período pode ser um gatilho para o transtorno depressivo em quem possui predisposição. Já para outras pessoas pode trazer sentimentos de mal-estar, tristeza e melancolia, mesmo sem que o quadro de depressão clínica esteja presente.

Sugiro 5 dicas para enfrentar a depressão de final de ano:

  1. Solidão: Não devemos confundir solitude, que é o desejo de isolamento voluntário, e é saudável, com a solidão, que é um estado de vazio interior relacionado ao desejo de ter companhia de pessoas e não ter. Muitas pessoas passam o final do ano com privacidade e em solitude, seja assistindo filmes, seja realizando algum tipo de meditação, sem que exista sofrimento. Já a solidão pode ser um fator desencadeante de tristeza e, se esse for o caso, é interessante programar algum tipo de atividade na companhia de outras pessoas nas festas de final de ano. Vale, por exemplo, participar de algum ritual religioso ou alguma atividade de voluntariado.
  2. Comparações: Essa é uma época de balanço, de reflexão sobre o que se realizou e o que deixou de se realizar, além de pensar no novo ano que se aproxima. É preciso estar atento para a balança que se utiliza nessa ponderação de feitos e realizações. As imagens de um mundo amoroso e perfeito das redes sociais, das revistas, filmes e muitos programas de TV são totalmente enganosas. Elas distorcem o modo como enxergamos o mundo e ponderamos nossas vidas. O resultado pode ser uma sensação de insatisfação com a própria vida, um gatilho poderoso para a tristeza e a depressão. A sugestão é simples: não se compare com os outros. Uma boa alternativa é listar tudo que aprendeu no ano que se encerra, e lembrar de todos os momentos de dificuldade que conseguiu superar.
  3. Luto: Seja como consequência da pandemia, ou de outra forma, muitos perderam pessoas próximas. O luto é uma reação esperada diante de perdas significativas. O suporte religioso ou espiritual, independentemente do sistema de crenças adotado, é útil para muitas pessoas. Esse suporte pode tomar o formato de apoio de uma religião formal, na leitura de livros voltados para a espiritualidade ou algum ritual que traga conforto. Procure manter na mente que as perdas fazem parte da vida, e que o luto é um modo de encararmos essas perdas.
  4. Banalização: Muitas pessoas, inclusive profissionais de saúde com formação deficiente, minimizam os sentimentos de tristeza na depressão. E, para piorar, oferecem conselhos inúteis, como o de que a depressão pode ser enfrentada somente com força de vontade ou afirmando que basta possuir crença em alguma força superior. Ou ainda banalizando e desvalorizando o sofrimento afirmando, por exemplo, que a depressão é só uma ‘tristezinha passageira’ ou um pouco de ‘falta de ânimo’. Em geral, orientações erradas, por mais bem intencionadas que possam eventualmente ser, são reflexo ou de dificuldade pessoal da pessoa que está oferecendo o conselho ou por pura falta de conhecimento técnico. Se for esse o caso, tente ignorar os ignorantes e procure orientação profissional.
  5. Rituais: Não existe nenhuma obrigação de seguir ritos pré-determinados socialmente como, por exemplo, um jantar que reúna multidões em casa, muitas vezes tendo que se tolerar companhia desagradável. Se esse tipo de ritual lhe faz bem, essa é uma excelente oportunidade para usufruir o afeto familiar, aproveitando todos os benefícios que o contato social pode trazer. No entanto, ninguém deve se sentir obrigado a nada. Se a situação ou evento traz um grau considerável de desconforto, ela não é saudável e pode ser abandonada. Experimente alternativas, como sair apenas com os membros próximos da família. Ou participar de algum voluntariado, distribuindo presentes e alimentos aos menos favorecidos. E se não encontrar nenhum evento com essas características, nada impede de criar um com essas características. Desviar a atenção das próprias dificuldades, assim como gerar a sensação de ser útil, são boas alternativas para enfrentar a tristeza que pode ocorrer nessa época.

Por fim, recomendo lucidez se for necessário procurar ajuda. O pior inimigo da saúde mental ainda é o preconceito. Mesmo pessoas com ótima formação escolar ainda atribuem o sofrimento emocional e a busca de ajuda profissional como algum tipo de fraqueza. E é exatamente o oposto.

É preciso uma boa dose de lucidez para enxergar a situação insatisfatória sem cair em autoengano, e muita coragem para tomar uma atitude e não se conformar em sofrer em silêncio e isolamento. Se a dor ou o incômodo emocional é persistente a ponto de prejudicar as atividades do dia a dia ou a qualidade de vida, é o momento de procurar ajuda profissional.

Cyro Masci é médico psiquiatra em São Paulo, atua em clínica privada com abordagem médica, unindo a medicina convencional com outras abordagens não convencionais.

Sugiro 5 dicas para enfrentar a depressão de final de ano:

  1. Solidão: Não devemos confundir solitude, que é o desejo de isolamento voluntário, e é saudável, com a solidão, que é um estado de vazio interior relacionado ao desejo de ter companhia de pessoas e não ter. Muitas pessoas passam o final do ano com privacidade e em solitude, seja assistindo filmes, seja realizando algum tipo de meditação, sem que exista sofrimento. Já a solidão pode ser um fator desencadeante de tristeza e, se esse for o caso, é interessante programar algum tipo de atividade na companhia de outras pessoas nas festas de final de ano. Vale, por exemplo, participar de algum ritual religioso ou alguma atividade de voluntariado.
  2. Comparações: Essa é uma época de balanço, de reflexão sobre o que se realizou e o que deixou de se realizar, além de pensar no novo ano que se aproxima. É preciso estar atento para a balança que se utiliza nessa ponderação de feitos e realizações. As imagens de um mundo amoroso e perfeito das redes sociais, das revistas, filmes e muitos programas de TV são totalmente enganosas. Elas distorcem o modo como enxergamos o mundo e ponderamos nossas vidas. O resultado pode ser uma sensação de insatisfação com a própria vida, um gatilho poderoso para a tristeza e a depressão. A sugestão é simples: não se compare com os outros. Uma boa alternativa é listar tudo que aprendeu no ano que se encerra, e lembrar de todos os momentos de dificuldade que conseguiu superar.
  3. Luto: Seja como consequência da pandemia, ou de outra forma, muitos perderam pessoas próximas. O luto é uma reação esperada diante de perdas significativas. O suporte religioso ou espiritual, independentemente do sistema de crenças adotado, é útil para muitas pessoas. Esse suporte pode tomar o formato de apoio de uma religião formal, na leitura de livros voltados para a espiritualidade ou algum ritual que traga conforto. Procure manter na mente que as perdas fazem parte da vida, e que o luto é um modo de encararmos essas perdas.
  4. Banalização: Muitas pessoas, inclusive profissionais de saúde com formação deficiente, minimizam os sentimentos de tristeza na depressão. E, para piorar, oferecem conselhos inúteis, como o de que a depressão pode ser enfrentada somente com força de vontade ou afirmando que basta possuir crença em alguma força superior. Ou ainda banalizando e desvalorizando o sofrimento afirmando, por exemplo, que a depressão é só uma ‘tristezinha passageira’ ou um pouco de ‘falta de ânimo’. Em geral, orientações erradas, por mais bem intencionadas que possam eventualmente ser, são reflexo ou de dificuldade pessoal da pessoa que está oferecendo o conselho ou por pura falta de conhecimento técnico. Se for esse o caso, tente ignorar os ignorantes e procure orientação profissional.
  5. Rituais: Não existe nenhuma obrigação de seguir ritos pré-determinados socialmente como, por exemplo, um jantar que reúna multidões em casa, muitas vezes tendo que se tolerar companhia desagradável. Se esse tipo de ritual lhe faz bem, essa é uma excelente oportunidade para usufruir o afeto familiar, aproveitando todos os benefícios que o contato social pode trazer. No entanto, ninguém deve se sentir obrigado a nada. Se a situação ou evento traz um grau considerável de desconforto, ela não é saudável e pode ser abandonada. Experimente alternativas, como sair apenas com os membros próximos da família. Ou participar de algum voluntariado, distribuindo presentes e alimentos aos menos favorecidos. E se não encontrar nenhum evento com essas características, nada impede de criar um com essas características. Desviar a atenção das próprias dificuldades, assim como gerar a sensação de ser útil, são boas alternativas para enfrentar a tristeza que pode ocorrer nessa época.

Por fim, recomendo lucidez se for necessário procurar ajuda. O pior inimigo da saúde mental ainda é o preconceito. Mesmo pessoas com ótima formação escolar ainda atribuem o sofrimento emocional e a busca de ajuda profissional como algum tipo de fraqueza. E é exatamente o oposto.

É preciso uma boa dose de lucidez para enxergar a situação insatisfatória sem cair em autoengano, e muita coragem para tomar uma atitude e não se conformar em sofrer em silêncio e isolamento. Se a dor ou o incômodo emocional é persistente a ponto de prejudicar as atividades do dia a dia ou a qualidade de vida, é o momento de procurar ajuda profissional.

Cyro Masci é médico psiquiatra em São Paulo, atua em clínica privada com abordagem médica, unindo a medicina convencional com outras abordagens não convencionais.

Otimismo Realista tem Impacto Positivo na Saúde

Possuir otimismo realista pode contribuir para a melhoria na saúde. Assim, destaco algumas ferramentas úteis para manter o otimismo em situações de dificuldade, como a que muitas pessoas estão enfrentando.

Um estudo realizado em 2009 pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, com 100 mil mulheres, que foram acompanhadas durante oito anos, indicou que o otimismo faz bem à saúde. A conclusão foi que as participantes com expectativas mais positivas para o futuro apresentaram risco 9% menor de desenvolver doenças cardíacas, assim como 14% menos probabilidade de vir a óbito por alguma outra causa.

Na mesma época, os homens foram objetos de outro estudo na Holanda, e dos 545 participantes da pesquisa, os mais otimistas tiveram redução de até 50% nas mortes por doenças do coração em comparação com aqueles que não traziam um olhar tão generoso para o futuro.

Em artigo publicado no JAMA, Journal of the American Medical Association, em 2019, foram analisados 15 estudos que envolveram mais de 200 mil pessoas, sendo constatado que o otimismo está associado a um menor risco de doenças do coração, em contraste com a atitude pessimista, que foi associada a um maior risco de eventos cardiovasculares. Os autores concluíram que “a promoção do otimismo e a redução do pessimismo podem ser importantes para a saúde preventiva”.

Estes indicadores positivos devem-se em grande parte a algumas alterações bioquímicas no organismo. O otimismo libera substâncias químicas, como a serotonina ou a dopamina, além de dificultar a liberação exagerada do hormônio cortisol. Desse modo, o organismo se protege dos danos consequentes que um estado de alerta constante provoca.

Olhar positivo para enfrentar momentos difíceis

A confiança no futuro, unida ao otimismo, pode fazer bem à saúde. Como tudo na vida, porém, o excesso pode ser prejudicial. Se uma pessoa só espera coisas boas da vida, pode não adotar medidas importantes para se preparar diante das adversidades que o dia a dia traz, além de dificultar o enfrentamento de situações de crise.

O ideal é que exista um equilíbrio saudável entre o extremo do otimismo cego, que se nega a ver as ameaças e perigos, e o pessimista radical, que tem uma visão de mundo comprometida pelos aspectos negativos da vida. Não permanecer em um extremo nem no outro é um estado que gosto de denominar como ‘otimismo realista’.

O modo como cada pessoa interpreta os fatos da vida é decisivo para adotar uma visão otimista ou pessimista. Todos nós atribuímos motivos e encontramos explicações para tudo que acontece na vida. E, como todo fenômeno mental, essa interpretação dos fatos está sujeita a vieses cognitivos, alterações e vícios do pensamento.

Um destes erros de explicação refere-se ao tempo de duração de um acontecimento. O pessimista radical acredita que uma situação ruim é permanente. Já o otimista, consegue pensar em termos de um estado provisório, um acontecimento passageiro em que, ou a situação vai mudar, ou ele mesmo irá mudar e dar conta do novo estado. Além disso, a amplitude das desventuras pode acentuar momentos de crise, assim como reforçar padrões de pensamento.

Muitas pessoas, através de auto-observação ou psicoterapia, conseguem modificar esses padrões. Mas nem sempre esses comportamentos podem ser modificados por aprendizado e treinamento. Quando essa mudança não ocorre com facilidade, é importante pesquisar se não existe alterações na química do cérebro como, por exemplo, o do transtorno psiquiátrico chamado ‘distimia’, uma espécie de depressão mais branda, mas de maior duração, que pode causar mau humor, irritabilidade e pessimismo persistentes.

Essa situação não é consequência dos diálogos e explicações internas, mas sim causada por alterações na bioquímica do cérebro. Nessa hipótese, o especialista médico preferencial a ser procurado é o psiquiatra, que poderá esclarecer a origem e o melhor tratamento para a pessoa acometida.

Um estudo realizado em 2009 pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, com 100 mil mulheres, que foram acompanhadas durante oito anos, indicou que o otimismo faz bem à saúde. A conclusão foi que as participantes com expectativas mais positivas para o futuro apresentaram risco 9% menor de desenvolver doenças cardíacas, assim como 14% menos probabilidade de vir a óbito por alguma outra causa.

Na mesma época, os homens foram objetos de outro estudo na Holanda, e dos 545 participantes da pesquisa, os mais otimistas tiveram redução de até 50% nas mortes por doenças do coração em comparação com aqueles que não traziam um olhar tão generoso para o futuro.

Em artigo publicado no JAMA, Journal of the American Medical Association, em 2019, foram analisados 15 estudos que envolveram mais de 200 mil pessoas, sendo constatado que o otimismo está associado a um menor risco de doenças do coração, em contraste com a atitude pessimista, que foi associada a um maior risco de eventos cardiovasculares. Os autores concluíram que “a promoção do otimismo e a redução do pessimismo podem ser importantes para a saúde preventiva”.

Estes indicadores positivos devem-se em grande parte a algumas alterações bioquímicas no organismo. O otimismo libera substâncias químicas, como a serotonina ou a dopamina, além de dificultar a liberação exagerada do hormônio cortisol. Desse modo, o organismo se protege dos danos consequentes que um estado de alerta constante provoca.

Olhar positivo para enfrentar momentos difíceis

A confiança no futuro, unida ao otimismo, pode fazer bem à saúde. Como tudo na vida, porém, o excesso pode ser prejudicial. Se uma pessoa só espera coisas boas da vida, pode não adotar medidas importantes para se preparar diante das adversidades que o dia a dia traz, além de dificultar o enfrentamento de situações de crise.

O ideal é que exista um equilíbrio saudável entre o extremo do otimismo cego, que se nega a ver as ameaças e perigos, e o pessimista radical, que tem uma visão de mundo comprometida pelos aspectos negativos da vida. Não permanecer em um extremo nem no outro é um estado que gosto de denominar como ‘otimismo realista’.

O modo como cada pessoa interpreta os fatos da vida é decisivo para adotar uma visão otimista ou pessimista. Todos nós atribuímos motivos e encontramos explicações para tudo que acontece na vida. E, como todo fenômeno mental, essa interpretação dos fatos está sujeita a vieses cognitivos, alterações e vícios do pensamento.

Um destes erros de explicação refere-se ao tempo de duração de um acontecimento. O pessimista radical acredita que uma situação ruim é permanente. Já o otimista, consegue pensar em termos de um estado provisório, um acontecimento passageiro em que, ou a situação vai mudar, ou ele mesmo irá mudar e dar conta do novo estado. Além disso, a amplitude das desventuras pode acentuar momentos de crise, assim como reforçar padrões de pensamento.

Muitas pessoas, através de auto-observação ou psicoterapia, conseguem modificar esses padrões. Mas nem sempre esses comportamentos podem ser modificados por aprendizado e treinamento. Quando essa mudança não ocorre com facilidade, é importante pesquisar se não existe alterações na química do cérebro como, por exemplo, o do transtorno psiquiátrico chamado ‘distimia’, uma espécie de depressão mais branda, mas de maior duração, que pode causar mau humor, irritabilidade e pessimismo persistentes.

Essa situação não é consequência dos diálogos e explicações internas, mas sim causada por alterações na bioquímica do cérebro. Nessa hipótese, o especialista médico preferencial a ser procurado é o psiquiatra, que poderá esclarecer a origem e o melhor tratamento para a pessoa acometida.

Síndrome do Pânico tem origem esclarecida pelas neurociências

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, a Síndrome do Pânicoafeta aproximadamente entre 2% a 4% da população mundial, com pico entre os 20 e 24 anos de idade, sendo que normalmente acomete pessoas acima dos 14 anos. “Ou seja, é bastante rara na terceira idade”, explica o médico psiquiatra Cyro Masci.

O especialista, autor do livro Síndrome do Pânico: Psiquiatria com abordagem médica, levanta uma questão: “Por que esse transtorno, cujas crises durante o sono podem ocorrer com 40% dos pacientes, aparece em determinadas pessoas e em outras não?”. De acordo com ele, o desenvolvimento das neurociências permitiu uma compreensão maior do que acontece no pânico.

Segundo Masci, a Síndrome do Pânico, ou Transtorno de Pânico, é o resultado de um desequilíbrio em áreas do cérebro responsáveis por reações automáticas de sobrevivência. “Tem como característica uma sensação de medo intenso, um pavor imenso, acompanhado de sintomas corporais bastante incômodos.”

O problema, de acordo com Cyro Masci, também pode vir acompanhado de outros transtornos psiquiátricos, como a depressão, a ansiedade generalizada, as fobias e até mesmo com dependência química, já que pode ocorrer um aumento do consumo de álcool para tentar aliviar os sintomas.

O médico psiquiatra afirma ainda que nosso cérebro possui regiões para detectar e reagir a perigos. “E o que a neurociência descobriu é que, no Transtorno de Pânico, essas regiões emitem sinais falsos, gerando informação equivocada de que há um grande perigo acontecendo”, explica.

E existem bons motivos para o cérebro possuir tais características. Masci lembra que essa parte do cérebro surgiu durante a evolução humana para atender às necessidades básicas de sobrevivência, e exigia poucas funções essenciais. “Por exemplo, colocar o corpo em movimento para ir em busca de alimento, e também disparar um alarme de emergência diante de perigos no ambiente, como fugir de outros animais para não virar comida”.

A Síndrome do Pânico seria, assim, o resultado dessas regiões que nos alertam a perigos. “Esse resultado é um medo intenso, um pavor enorme, paralisante, como se a morte fosse acontecer a qualquer momento”, acrescenta Cyro Masci.

Uma característica que distingue esse problema de outros transtornos é que são sintomas recorrentes. “A crise acontece com certa frequência, e não de uma única vez ou esporadicamente”. Outra característica da doença é que esse pavor aparece em situações específicas em mais ou menos metade das vezes. “Na outra metade surge ‘do nada’. A pessoa está muito bem, ou está simplesmente dormindo, e começa a ter essa reação”.

Encurralada

As situações específicas que desencadeiam a crise de pânico também são explicadas pela neurociência, segundo Cyro Masci. “Trazemos a informação no cérebro de que regiões de difícil saída são perigosas. Assim, as crises são muitas vezes relacionadas a situações em que a pessoa está de algum modo encurralada, sem um lugar fácil para escapar, como estar no trânsito, dentro de um metrô, teatro, cinema ou dentro de um avião, principalmente quando as portas se fecham”.

O médico destaca a importância do tratamento psiquiátrico adequado. “Sem um acompanhamento correto, dificilmente a cura da Síndrome do Pânico evolui de maneira satisfatória. Há poucas expectativas de cura espontânea”. Tal transtorno psiquiátrico compromete de maneira bastante séria a vida social, profissional e de relacionamentos afetivos. “Esse comprometimento leva, com frequência, ao que chamamos de desabilitação, com perda importante da qualidade de vida, autonomia e capacidade de traçar seu próprio caminho”, explica Masci.

A boa notícia é que existem tratamentos eficazes, sendo que o objetivo, segundo o psiquiatra, é modular, ou seja, regular as áreas do cérebro que ficaram desreguladas. “Não se trata, portanto, de simplesmente eliminar os sintomas, mas sim de interferir nessas áreas do cérebro para que voltem a responder de maneira adequada a perigos realmente existentes”.

O especialista, autor do livro Síndrome do Pânico: Psiquiatria com abordagem médica, levanta uma questão: “Por que esse transtorno, cujas crises durante o sono podem ocorrer com 40% dos pacientes, aparece em determinadas pessoas e em outras não?”. De acordo com ele, o desenvolvimento das neurociências permitiu uma compreensão maior do que acontece no pânico.

Segundo Masci, a Síndrome do Pânico, ou Transtorno de Pânico, é o resultado de um desequilíbrio em áreas do cérebro responsáveis por reações automáticas de sobrevivência. “Tem como característica uma sensação de medo intenso, um pavor imenso, acompanhado de sintomas corporais bastante incômodos.”

O problema, de acordo com Cyro Masci, também pode vir acompanhado de outros transtornos psiquiátricos, como a depressão, a ansiedade generalizada, as fobias e até mesmo com dependência química, já que pode ocorrer um aumento do consumo de álcool para tentar aliviar os sintomas.

O médico psiquiatra afirma ainda que nosso cérebro possui regiões para detectar e reagir a perigos. “E o que a neurociência descobriu é que, no Transtorno de Pânico, essas regiões emitem sinais falsos, gerando informação equivocada de que há um grande perigo acontecendo”, explica.

E existem bons motivos para o cérebro possuir tais características. Masci lembra que essa parte do cérebro surgiu durante a evolução humana para atender às necessidades básicas de sobrevivência, e exigia poucas funções essenciais. “Por exemplo, colocar o corpo em movimento para ir em busca de alimento, e também disparar um alarme de emergência diante de perigos no ambiente, como fugir de outros animais para não virar comida”.

A Síndrome do Pânico seria, assim, o resultado dessas regiões que nos alertam a perigos. “Esse resultado é um medo intenso, um pavor enorme, paralisante, como se a morte fosse acontecer a qualquer momento”, acrescenta Cyro Masci.

Uma característica que distingue esse problema de outros transtornos é que são sintomas recorrentes. “A crise acontece com certa frequência, e não de uma única vez ou esporadicamente”. Outra característica da doença é que esse pavor aparece em situações específicas em mais ou menos metade das vezes. “Na outra metade surge ‘do nada’. A pessoa está muito bem, ou está simplesmente dormindo, e começa a ter essa reação”.

Encurralada

As situações específicas que desencadeiam a crise de pânico também são explicadas pela neurociência, segundo Cyro Masci. “Trazemos a informação no cérebro de que regiões de difícil saída são perigosas. Assim, as crises são muitas vezes relacionadas a situações em que a pessoa está de algum modo encurralada, sem um lugar fácil para escapar, como estar no trânsito, dentro de um metrô, teatro, cinema ou dentro de um avião, principalmente quando as portas se fecham”.

O médico destaca a importância do tratamento psiquiátrico adequado. “Sem um acompanhamento correto, dificilmente a cura da Síndrome do Pânico evolui de maneira satisfatória. Há poucas expectativas de cura espontânea”. Tal transtorno psiquiátrico compromete de maneira bastante séria a vida social, profissional e de relacionamentos afetivos. “Esse comprometimento leva, com frequência, ao que chamamos de desabilitação, com perda importante da qualidade de vida, autonomia e capacidade de traçar seu próprio caminho”, explica Masci.

A boa notícia é que existem tratamentos eficazes, sendo que o objetivo, segundo o psiquiatra, é modular, ou seja, regular as áreas do cérebro que ficaram desreguladas. “Não se trata, portanto, de simplesmente eliminar os sintomas, mas sim de interferir nessas áreas do cérebro para que voltem a responder de maneira adequada a perigos realmente existentes”.

Ansiedade Generalizada: quando buscar tratamento adequado?

Uma preocupação exagerada com os acontecimentos da vida, sem um motivo evidente, pode indicar que a pessoa sofra de ansiedade generalizada. Trata-se da mais conhecida das ansiedades, doença que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros. Os dados são da Organização Mundial da Saúde, que indica que 9,3% da população tem o transtorno.

Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, os portadores do problema generalizado ficam preocupados de forma excessiva com trabalho, dinheiro, saúde, família, escola etc.

“Em resumo com tudo que possa remotamente dar errado”, explica o especialista, ao advertir que esse tipo de ansiedade pode trazer uma série de prejuízos ao cotidiano dos portadores. E como saber se o problema exige tratamento?

Cyro Masci sugere algumas perguntas que qualquer pessoa pode fazer a si mesma. Confira:

  • Pergunta 1 – A preocupação atinge várias coisas, eventos ou atividades?
  • Pergunta 2 – A preocupação persistiu por, no mínimo, seis meses e esteve presente em praticamente todos os dias?
  • Pergunta 3 – Existe dificuldade em controlar essas preocupações?
  • Pergunta 4 – Os sintomas causam desconforto considerável?

A primeira pergunta está relacionada ao próprio nome do problema, uma vez que trata-se da ansiedade generalizada, ou seja, que afeta vários aspectos da vida pessoal.

A segunda questão, segundo Cyro Masci, mostra que a ansiedade generalizada não é um fenômeno de curta duração e eventual, mas persistente.

Para refletir sobre as duas últimas questões, o médico psiquiatra lembra que, em geral, a preocupação é acompanhada por pelo menos três sintomas corporais,especialmente inquietação, cansaço, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular ou dificuldade com sono. “Todos esses sintomas podem pertencer ao quadro de ansiedade e não devem ser atribuídos apressadamente ao estresse comum a todas as pessoas”, orienta Cyro Masci.

Respostas

Segundo o médico, se você respondeu afirmativamente a mais que três dessas perguntas, é aconselhável fazer uma avaliação especializada, pois é muito provável que sofra de Ansiedade Generalizada.

“Como esses sintomas podem ser provocados por doenças orgânicas, medicação ou substâncias que esteja ingerindo, além de mudanças hormonais, é conveniente que a avaliação seja realizada por médico, se possível um psiquiatra. Devido à sua formação, este profissional pode tanto avaliar as causas orgânicas quanto comportamentais”, explica Cyro Masci

O especialista destaca que os tratamentos são efetivos, mas, infelizmente, pessoas com quadro agudo e grave de ansiedade levam algo em torno de 7 anos para buscar auxílio médico, segundo pesquisas realizadas na Universidade Harvard. “Quando os quadros são mais leves, o tempo é ainda maior. A demora pode chegar a 16 anos”, finaliza o médico psiquiatra.

E o que impede muitas pessoas de procurar ajuda adequada? Segundo Masci, uma boa parcela atribui erroneamente o transtorno ao estresse que imagina ser normal na vida. “E não vão em busca de ajuda por puro preconceito.”

O fato é que existem tratamentos psiquiátricos adequados que não visam apenas suprimir os sintomas, embora reduzir isso seja imprescindível. “Com os conhecimentos modernos, o foco do tratamento deve ser não apenas suprimir os sintomas, mas modular, regular as regiões do cérebro que estão funcionando de modo inadequado, devolvendo a capacidade de a pessoa preocupar-se de forma adequada, com motivos plausíveis e de modo circunscrito.

Em outras palavras, ficar ansioso somente com o que merece preocupação e por tempo limitado”, finaliza.

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Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, os portadores do problema generalizado ficam preocupados de forma excessiva com trabalho, dinheiro, saúde, família, escola etc.

“Em resumo com tudo que possa remotamente dar errado”, explica o especialista, ao advertir que esse tipo de ansiedade pode trazer uma série de prejuízos ao cotidiano dos portadores. E como saber se o problema exige tratamento?

Cyro Masci sugere algumas perguntas que qualquer pessoa pode fazer a si mesma. Confira:

  • Pergunta 1 – A preocupação atinge várias coisas, eventos ou atividades?
  • Pergunta 2 – A preocupação persistiu por, no mínimo, seis meses e esteve presente em praticamente todos os dias?
  • Pergunta 3 – Existe dificuldade em controlar essas preocupações?
  • Pergunta 4 – Os sintomas causam desconforto considerável?

A primeira pergunta está relacionada ao próprio nome do problema, uma vez que trata-se da ansiedade generalizada, ou seja, que afeta vários aspectos da vida pessoal.

A segunda questão, segundo Cyro Masci, mostra que a ansiedade generalizada não é um fenômeno de curta duração e eventual, mas persistente.

Para refletir sobre as duas últimas questões, o médico psiquiatra lembra que, em geral, a preocupação é acompanhada por pelo menos três sintomas corporais,especialmente inquietação, cansaço, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular ou dificuldade com sono. “Todos esses sintomas podem pertencer ao quadro de ansiedade e não devem ser atribuídos apressadamente ao estresse comum a todas as pessoas”, orienta Cyro Masci.

Respostas

Segundo o médico, se você respondeu afirmativamente a mais que três dessas perguntas, é aconselhável fazer uma avaliação especializada, pois é muito provável que sofra de Ansiedade Generalizada.

“Como esses sintomas podem ser provocados por doenças orgânicas, medicação ou substâncias que esteja ingerindo, além de mudanças hormonais, é conveniente que a avaliação seja realizada por médico, se possível um psiquiatra. Devido à sua formação, este profissional pode tanto avaliar as causas orgânicas quanto comportamentais”, explica Cyro Masci

O especialista destaca que os tratamentos são efetivos, mas, infelizmente, pessoas com quadro agudo e grave de ansiedade levam algo em torno de 7 anos para buscar auxílio médico, segundo pesquisas realizadas na Universidade Harvard. “Quando os quadros são mais leves, o tempo é ainda maior. A demora pode chegar a 16 anos”, finaliza o médico psiquiatra.

E o que impede muitas pessoas de procurar ajuda adequada? Segundo Masci, uma boa parcela atribui erroneamente o transtorno ao estresse que imagina ser normal na vida. “E não vão em busca de ajuda por puro preconceito.”

O fato é que existem tratamentos psiquiátricos adequados que não visam apenas suprimir os sintomas, embora reduzir isso seja imprescindível. “Com os conhecimentos modernos, o foco do tratamento deve ser não apenas suprimir os sintomas, mas modular, regular as regiões do cérebro que estão funcionando de modo inadequado, devolvendo a capacidade de a pessoa preocupar-se de forma adequada, com motivos plausíveis e de modo circunscrito.

Em outras palavras, ficar ansioso somente com o que merece preocupação e por tempo limitado”, finaliza.

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Ansiedade: abordagens não convencionais se integram ao tratamento do transtorno

Médico psiquiatra destaca a importância da abordagem multimodal dos transtornos de ansiedade.

No Brasil, 9,3 % da população sofre de ansiedade, transtorno que engloba problemas como a ansiedade generalizada, fobias, pânico ou estresse pós-traumático. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocam o país na liderança do ranking mundial. Trata-se de um índice três vezes maior que a média mundial.

O tratamento mais conhecido e bem estudado para o problema engloba medicação psiquiátrica, em geral antidepressivos específicos, e psicoterapia cognitiva comportamental. No entanto, segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, é possível associar abordagens não convencionais ao tratamento.

“Essa é a essência da medicina medica“, explica o médico, “integrar, associar ao tratamento convencional abordagens alternativas ou complementares”. E as vantagens são muitas, afirma Cyro Masci.

“Em primeiro lugar, evita-se ou tenta-se reduzir os efeitos colaterais das medicações convencionais. Muitas pessoas simplesmente não toleram esses efeitos, e medidas que possam reduzir o problema são sempre bem-vindas”, destaca o médico.

As formas de tratamento que a medicina medica associa ao método convencional são variadas e podem ser divididas, grosso modo, em medicamentosas e não-medicamentosas.

Entre as formas não-medicamentosas, de acordo com Cyro Masci, estão atividades como respiração monitorada, relaxamento induzido, ioga ou simplesmente uma boa e vigorosa caminhada.

Quanto aos medicamentos, o médico destaca que nem sempre conseguem substituir os antidepressivos convencionais, mas que podem auxiliar o quadro numa tentativa de, ao menos, reduzir a quantidade de medicação convencional.

Medicação não convencional

Cyro Masci exemplifica com o uso de fitoterápicos. “A fitoterapia, ou medicina herbária, utiliza concentrados de vegetais com esse fim, sendo interessante destacar que seus melhores efeitos são obtidos quando os extratos são associados. A fitoterapia utiliza o princípio da sinergia entre os componentes, a associação de vários componentes potencializa o efeito final”, explica.

Também medicamentos homeopáticos podem ser benéficos. Segundo o médico, “a ultradiluição de compostos naturais tem o potencial de modular, harmonizar as reações do organismo, o que favorece as nossas capacidades de autorrecuperação”.

O psiquiatra enfatiza a necessidade de que o tratamento seja conduzido por médico. “Não é porque um medicamento é natural que é desprovido de efeitos colaterais. Além disso, vários compostos podem interferir na ação de medicamentos convencionais, sendo imprescindível considerar as interações entre essas formas de tratamento”, adverte.

Afinal, como destaca Cyro Masci, todo esforço médico deve ser no sentido de não apenas combater os sintomas de uma doença, mas abordar cada pessoa única em seus aspectos biológicos, emocionais e sociais com medidas que provoquem o menor desconforto possível e facilitem o retorno ao equilíbrio e bem-estar. “O que é altamente desejável em grande parte das enfermidades, especialmente as psiquiátricas, que são denominadas de ‘transtorno’, e não ‘doença’, exatamente por terem vários fatores atuando no seu desencadeamento”, conclui o médico psiquiatra.

No Brasil, 9,3 % da população sofre de ansiedade, transtorno que engloba problemas como a ansiedade generalizada, fobias, pânico ou estresse pós-traumático. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocam o país na liderança do ranking mundial. Trata-se de um índice três vezes maior que a média mundial.

O tratamento mais conhecido e bem estudado para o problema engloba medicação psiquiátrica, em geral antidepressivos específicos, e psicoterapia cognitiva comportamental. No entanto, segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, é possível associar abordagens não convencionais ao tratamento.

“Essa é a essência da medicina medica“, explica o médico, “integrar, associar ao tratamento convencional abordagens alternativas ou complementares”. E as vantagens são muitas, afirma Cyro Masci.

“Em primeiro lugar, evita-se ou tenta-se reduzir os efeitos colaterais das medicações convencionais. Muitas pessoas simplesmente não toleram esses efeitos, e medidas que possam reduzir o problema são sempre bem-vindas”, destaca o médico.

As formas de tratamento que a medicina medica associa ao método convencional são variadas e podem ser divididas, grosso modo, em medicamentosas e não-medicamentosas.

Entre as formas não-medicamentosas, de acordo com Cyro Masci, estão atividades como respiração monitorada, relaxamento induzido, ioga ou simplesmente uma boa e vigorosa caminhada.

Quanto aos medicamentos, o médico destaca que nem sempre conseguem substituir os antidepressivos convencionais, mas que podem auxiliar o quadro numa tentativa de, ao menos, reduzir a quantidade de medicação convencional.

Medicação não convencional

Cyro Masci exemplifica com o uso de fitoterápicos. “A fitoterapia, ou medicina herbária, utiliza concentrados de vegetais com esse fim, sendo interessante destacar que seus melhores efeitos são obtidos quando os extratos são associados. A fitoterapia utiliza o princípio da sinergia entre os componentes, a associação de vários componentes potencializa o efeito final”, explica.

Também medicamentos homeopáticos podem ser benéficos. Segundo o médico, “a ultradiluição de compostos naturais tem o potencial de modular, harmonizar as reações do organismo, o que favorece as nossas capacidades de autorrecuperação”.

O psiquiatra enfatiza a necessidade de que o tratamento seja conduzido por médico. “Não é porque um medicamento é natural que é desprovido de efeitos colaterais. Além disso, vários compostos podem interferir na ação de medicamentos convencionais, sendo imprescindível considerar as interações entre essas formas de tratamento”, adverte.

Afinal, como destaca Cyro Masci, todo esforço médico deve ser no sentido de não apenas combater os sintomas de uma doença, mas abordar cada pessoa única em seus aspectos biológicos, emocionais e sociais com medidas que provoquem o menor desconforto possível e facilitem o retorno ao equilíbrio e bem-estar. “O que é altamente desejável em grande parte das enfermidades, especialmente as psiquiátricas, que são denominadas de ‘transtorno’, e não ‘doença’, exatamente por terem vários fatores atuando no seu desencadeamento”, conclui o médico psiquiatra.

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