Intestino equivale a segundo cérebro

Intestino equivale a segundo cérebro

O médico psiquiatra Cyro Masci realça a importância de pesquisas que apontam a influência da microbiota intestinal nas emoções e no comportamento

A Pesquisa Nacional Chinesa sobre Sintomatologia da Depressão, realizada com 3.256 pacientes locais que sofrem de transtorno depressivo, revelou que mais de 70% dos participantes apresentaram sintomas gastrointestinais. Além disso, foi possível encontrar relação entre a gravidade dos problemas do trato gástrico e intestinal e nível de depressão.

Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, “a microbiota intestinal, nome técnico para os micróbios que habitam nosso intestino, pode exercer grande influência no cérebro e, assim, modular emoções e comportamentos”. De acordo com o especialista, essa é mais uma pesquisa que mostra a importância da conexão entre intestino e cérebro na psiquiatria.

Barreira de defesa

Masci exemplifica o modo como os micróbios intestinais afetam o comportamento por uma linha de pesquisas já realizadas. Segundo o psiquiatra, essas pesquisas foram facilitadas ao se estudar camundongos criados livres de germes, que depois receberam micróbios de outro sistema gastrointestinal – em geral de indivíduos que sofrem de algumas doenças. “Por exemplo, camundongos não ansiosos, que receberam germes intestinais de ratos que tinham traços de ansiedade, passaram a exibir comportamento ansioso”, diz o médico.

E as mudanças não são apenas no comportamento. “Camundongos criados livres de germes no intestino e que receberam micróbios de pessoas com doença de Parkinson, passaram a apresentar alguns dos sintomas motores típicos dessa enfermidade”, acrescenta Cyro Masci.

Para o médico, o modo como as várias mudanças na biota intestinal afetam o cérebro e o comportamento humano ainda é objeto de estudos, mas existem algumas possíveis explicações. “Talvez substâncias químicas que esses micróbios liberam tenham a capacidade de atravessar a barreira de defesa do cérebro e modificar o modo de funcionamento das células nervosas”, afirmou.

Além disso, provavelmente, a ação química não é a única responsável por essas alterações. Segundo Masci, “os micróbios intestinais conseguem modificar a atividade da inervação do sistema gastrointestinal e, desse modo, levar informações por via elétrica ao cérebro”.

Por fim, Cyro Masci conclui que, nos últimos anos, foram realizados vários progressos no conhecimento de como a biota intestinal afeta o comportamento, mas ainda são necessários mais estudos. “Muitas pesquisas foram realizadas, e os resultados são animadores, sendo até provável que, no futuro, existam terapias baseadas na mudança da biota intestinal.

Enquanto essas formas exclusivas de tratamento não estão disponíveis, é possível investigar e alterar o estado da biota de pacientes com alterações de comportamento, incluindo mudanças alimentares que facilitem o crescimento de micróbios saudáveis”, finaliza.

Texto mencionado em:

O Globo https://glo.bo/3a6E5lx

Agência Estado https://bit.ly/3dXeBIv

Portal Terra https://bit.ly/327Qwt5

Mundo do Marketing https://bit.ly/3g8AZRU

Comunique-se https://bit.ly/3a1H6DK

A Pesquisa Nacional Chinesa sobre Sintomatologia da Depressão, realizada com 3.256 pacientes locais que sofrem de transtorno depressivo, revelou que mais de 70% dos participantes apresentaram sintomas gastrointestinais. Além disso, foi possível encontrar relação entre a gravidade dos problemas do trato gástrico e intestinal e nível de depressão.

Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, “a microbiota intestinal, nome técnico para os micróbios que habitam nosso intestino, pode exercer grande influência no cérebro e, assim, modular emoções e comportamentos”. De acordo com o especialista, essa é mais uma pesquisa que mostra a importância da conexão entre intestino e cérebro na psiquiatria.

Barreira de defesa

Masci exemplifica o modo como os micróbios intestinais afetam o comportamento por uma linha de pesquisas já realizadas. Segundo o psiquiatra, essas pesquisas foram facilitadas ao se estudar camundongos criados livres de germes, que depois receberam micróbios de outro sistema gastrointestinal – em geral de indivíduos que sofrem de algumas doenças. “Por exemplo, camundongos não ansiosos, que receberam germes intestinais de ratos que tinham traços de ansiedade, passaram a exibir comportamento ansioso”, diz o médico.

E as mudanças não são apenas no comportamento. “Camundongos criados livres de germes no intestino e que receberam micróbios de pessoas com doença de Parkinson, passaram a apresentar alguns dos sintomas motores típicos dessa enfermidade”, acrescenta Cyro Masci.

Para o médico, o modo como as várias mudanças na biota intestinal afetam o cérebro e o comportamento humano ainda é objeto de estudos, mas existem algumas possíveis explicações. “Talvez substâncias químicas que esses micróbios liberam tenham a capacidade de atravessar a barreira de defesa do cérebro e modificar o modo de funcionamento das células nervosas”, afirmou.

Além disso, provavelmente, a ação química não é a única responsável por essas alterações. Segundo Masci, “os micróbios intestinais conseguem modificar a atividade da inervação do sistema gastrointestinal e, desse modo, levar informações por via elétrica ao cérebro”.

Por fim, Cyro Masci conclui que, nos últimos anos, foram realizados vários progressos no conhecimento de como a biota intestinal afeta o comportamento, mas ainda são necessários mais estudos. “Muitas pesquisas foram realizadas, e os resultados são animadores, sendo até provável que, no futuro, existam terapias baseadas na mudança da biota intestinal.

Enquanto essas formas exclusivas de tratamento não estão disponíveis, é possível investigar e alterar o estado da biota de pacientes com alterações de comportamento, incluindo mudanças alimentares que facilitem o crescimento de micróbios saudáveis”, finaliza.

Texto mencionado em:

O Globo https://glo.bo/3a6E5lx

Agência Estado https://bit.ly/3dXeBIv

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Mundo do Marketing https://bit.ly/3g8AZRU

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Reuniões e aulas virtuais podem provocar fadiga e alterações emocionais

Reuniões e aulas virtuais podem provocar fadiga e alterações emocionais

Passar o dia diante da tela do computador pode ser exaustivo. O psiquiatra Cyro Masci esclarece os fatores envolvidos e sugere algumas medidas para mitigar o problema

No dia 11 de março de 2020, a OMS, Organização Mundial da Saúde, declarou a pandemia do novo Coronavírus. Poucos dias depois, em 16 de março, a quarentena foi implementada como medida de contenção do vírus no Brasil. Foi assim, de uma hora para a outra, que a rotina sofreu alterações e o mundo precisou readaptar o formato de estudo, trabalho e lazer.

Um ano depois, a situação continua igual e muitos relatam insatisfação diante de soluções encontradas.

Um estudo realizado pela empresa de recrutamento global Robert Half constatou que as videochamadas podem afetar a saúde dos usuários. Nesse estudo constatou-se que, das pessoas que utilizam reuniões virtuais, 38% relatam fadiga desde o início da pandemia, 26% observaram que a praticidade das videoconferências se dissipou nos últimos 8 meses e 24% afirmaram que as reuniões virtuais são exaustivas e ineficazes, preferindo se comunicar por outros canais, como telefone ou e-mail.

Cyro Masci, médico psiquiatra, explica que a pandemia fomentou tanto as reuniões quanto aulas virtuais de modo abrupto, não houve tempo para planejamento e implementação progressiva, o que seria o ideal. Diante desse cenário, o psiquiatra aponta os tipos de sobrecarga que essa situação pode oferecer e sugere algumas medidas para enfrentar o problema.

Ambiente ideal

Masci destaca que a luz da tela do computador provoca ressecamento e irritação ocular, já que faz com que os olhos pisquem menos. “Poucas pessoas se preocupam em umidificar os olhos periodicamente, seja com colírio específico, ou com um pouco de soro fisiológico. Além disso, a imagem da tela gera estímulos luminosos que, por sua natureza, provocam fadiga”, explica.

Cérebro ativo

Com muitas luzes e sons, o cérebro acaba recebendo muito mais estímulos do que apenas o conteúdo da atividade que está sendo realizada. “Nosso cérebro interpreta e toma decisões baseadas não apenas no conteúdo verbal, mas também em todas as informações disponíveis, como postura corporal ou pequenas contrações musculares no corpo da pessoa com a qual estamos falando. Somos animais sociais, e a convivência pessoal propicia informações que não estão disponíveis nas reuniões e aulas virtuais. Como consequência, realizamos mais esforços de comunicação pelas palavras, o que não é natural no nosso dia a dia. Essa é mais uma sobrecarga que pode levar à fadiga”, diz.

Por isso, a recomendação do especialista é tentar diminuir informações. Em uma reunião por videochamada, por exemplo, manter apenas as imagens dos participantes que estejam se manifestando num determinado momento pode ajudar.

Alternância de estímulos

Cyro explica que reuniões e aulas virtuais exacerbam o estado de Atenção Parcial Contínua. Isso quer dizer que um indivíduo precisa dar atenção parcial a muitas coisas ao mesmo tempo e, consequentemente, tem a impressão subjetiva de estar fazendo muitas coisas simultaneamente, mas essa não é a verdade.

“Nosso cérebro dá total atenção a um foco, depois migra rapidamente para outro e então volta para o foco original. O cérebro tem sua capacidade máxima prejudicada nessas mudanças rápidas, a perda de tempo produtivo pode chegar a 40%, além de comprometer as habilidades de compreensão e de controle dos nossos pensamentos, emoções e ações. Nas reuniões virtuais em que existem muitas imagens de pessoas participando, a tentação de olhar o celular ou checar e-mails quando não se está falando, ou até mesmo os vários cenários de fundo de cada participante são exigências neuronais que também contribuem para sobrecarregar e desequilibrar as pessoas”, sugere Masci.

Por esse motivo, o médico recomenda manter o foco em uma coisa de cada vez, evitando a dispersão. Isso é importante porque, segundo Cyro Masci, o corpo possui sistemas de autorregulação que podem ser sobrecarregados pelas reuniões e aulas online. “Um exemplo é o sistema muscular contraído por muito tempo, favorecendo dores e enxaquecas. Já no cérebro, a sobrecarga pode ocorrer nas regiões responsáveis por alarme a perigos, nosso Sistema de Resposta a Ameaças, o que contribui para o aumento da ansiedade, insônia e preocupações ineficazes”.

Por fim, o psiquiatra esclarece que “embora as mudanças de hábito diante de reuniões e aulas virtuais sejam muito desejáveis, podem não ser suficientes quando o desequilíbrio se instala, sendo necessário tratamento. Idealmente a abordagem deve ter por objetivo modular os mecanismos que regulam a tensão e as respostas emocionais”.

No dia 11 de março de 2020, a OMS, Organização Mundial da Saúde, declarou a pandemia do novo Coronavírus. Poucos dias depois, em 16 de março, a quarentena foi implementada como medida de contenção do vírus no Brasil. Foi assim, de uma hora para a outra, que a rotina sofreu alterações e o mundo precisou readaptar o formato de estudo, trabalho e lazer.

Um ano depois, a situação continua igual e muitos relatam insatisfação diante de soluções encontradas.

Um estudo realizado pela empresa de recrutamento global Robert Half constatou que as videochamadas podem afetar a saúde dos usuários. Nesse estudo constatou-se que, das pessoas que utilizam reuniões virtuais, 38% relatam fadiga desde o início da pandemia, 26% observaram que a praticidade das videoconferências se dissipou nos últimos 8 meses e 24% afirmaram que as reuniões virtuais são exaustivas e ineficazes, preferindo se comunicar por outros canais, como telefone ou e-mail.

Cyro Masci, médico psiquiatra, explica que a pandemia fomentou tanto as reuniões quanto aulas virtuais de modo abrupto, não houve tempo para planejamento e implementação progressiva, o que seria o ideal. Diante desse cenário, o psiquiatra aponta os tipos de sobrecarga que essa situação pode oferecer e sugere algumas medidas para enfrentar o problema.

Ambiente ideal

Masci destaca que a luz da tela do computador provoca ressecamento e irritação ocular, já que faz com que os olhos pisquem menos. “Poucas pessoas se preocupam em umidificar os olhos periodicamente, seja com colírio específico, ou com um pouco de soro fisiológico. Além disso, a imagem da tela gera estímulos luminosos que, por sua natureza, provocam fadiga”, explica.

Cérebro ativo

Com muitas luzes e sons, o cérebro acaba recebendo muito mais estímulos do que apenas o conteúdo da atividade que está sendo realizada. “Nosso cérebro interpreta e toma decisões baseadas não apenas no conteúdo verbal, mas também em todas as informações disponíveis, como postura corporal ou pequenas contrações musculares no corpo da pessoa com a qual estamos falando. Somos animais sociais, e a convivência pessoal propicia informações que não estão disponíveis nas reuniões e aulas virtuais. Como consequência, realizamos mais esforços de comunicação pelas palavras, o que não é natural no nosso dia a dia. Essa é mais uma sobrecarga que pode levar à fadiga”, diz.

Por isso, a recomendação do especialista é tentar diminuir informações. Em uma reunião por videochamada, por exemplo, manter apenas as imagens dos participantes que estejam se manifestando num determinado momento pode ajudar.

Alternância de estímulos

Cyro explica que reuniões e aulas virtuais exacerbam o estado de Atenção Parcial Contínua. Isso quer dizer que um indivíduo precisa dar atenção parcial a muitas coisas ao mesmo tempo e, consequentemente, tem a impressão subjetiva de estar fazendo muitas coisas simultaneamente, mas essa não é a verdade.

“Nosso cérebro dá total atenção a um foco, depois migra rapidamente para outro e então volta para o foco original. O cérebro tem sua capacidade máxima prejudicada nessas mudanças rápidas, a perda de tempo produtivo pode chegar a 40%, além de comprometer as habilidades de compreensão e de controle dos nossos pensamentos, emoções e ações. Nas reuniões virtuais em que existem muitas imagens de pessoas participando, a tentação de olhar o celular ou checar e-mails quando não se está falando, ou até mesmo os vários cenários de fundo de cada participante são exigências neuronais que também contribuem para sobrecarregar e desequilibrar as pessoas”, sugere Masci.

Por esse motivo, o médico recomenda manter o foco em uma coisa de cada vez, evitando a dispersão. Isso é importante porque, segundo Cyro Masci, o corpo possui sistemas de autorregulação que podem ser sobrecarregados pelas reuniões e aulas online. “Um exemplo é o sistema muscular contraído por muito tempo, favorecendo dores e enxaquecas. Já no cérebro, a sobrecarga pode ocorrer nas regiões responsáveis por alarme a perigos, nosso Sistema de Resposta a Ameaças, o que contribui para o aumento da ansiedade, insônia e preocupações ineficazes”.

Por fim, o psiquiatra esclarece que “embora as mudanças de hábito diante de reuniões e aulas virtuais sejam muito desejáveis, podem não ser suficientes quando o desequilíbrio se instala, sendo necessário tratamento. Idealmente a abordagem deve ter por objetivo modular os mecanismos que regulam a tensão e as respostas emocionais”.

Psiquiatria e doenças do coração, como mente e organismo se influenciam

A saúde do coração e o funcionamento cerebral estão ligados por uma rede complexa que envolve hormônios, sistema nervoso, inflamação, sono, hábitos e relações sociais. Por isso, alterações persistentes no humor ou na ansiedade podem afetar o organismo, enquanto uma doença cardiovascular também pode modificar o estado emocional e a rotina.

Essa relação não significa que transtornos psiquiátricos sejam a causa direta de todos os problemas cardíacos. Doenças do coração resultam de múltiplos fatores, como predisposição genética, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, sedentarismo, alimentação, idade e condições sociais.

O modelo biopsicossocial ajuda a compreender essa interação sem separar artificialmente o cérebro do restante do corpo. A avaliação precisa considerar a pessoa em sua totalidade, incluindo sintomas, condições clínicas, hábitos e contexto de vida.

Como ansiedade e depressão podem afetar o coração?

A ansiedade persistente mantém o organismo em estado de alerta. A frequência cardíaca pode aumentar, a pressão arterial pode sofrer elevações transitórias e a musculatura pode permanecer contraída. Quando esse estado se prolonga, pode haver prejuízo do sono, aumento do consumo de álcool ou nicotina e redução da prática de atividade física.

Na depressão, a perda de energia, interesse e iniciativa pode dificultar a manutenção de hábitos protetores e a adesão a tratamentos cardiológicos. Consultas, exercícios, alimentação regular e uso correto de medicamentos podem se tornar mais difíceis quando a pessoa está profundamente desanimada.

Esses fatores não explicam sozinhos o surgimento de uma doença cardiovascular, mas podem participar do risco global. O acompanhamento deve ser integrado entre cardiologia, psiquiatria e outros profissionais quando necessário.

O estresse altera hormônios e sinais corporais?

Em situações de ameaça ou exigência, o organismo libera substâncias como adrenalina e cortisol. A adrenalina atua rapidamente, aumentando a frequência cardíaca e preparando o corpo para agir. O cortisol participa da regulação da energia, da pressão arterial, da imunidade e da resposta ao estresse.

Esses mecanismos são úteis quando ativados por períodos breves. O problema pode surgir quando o sistema de alerta permanece acionado por muito tempo, especialmente em conjunto com privação de sono, sedentarismo, uso de substâncias e condições clínicas não tratadas.

É importante evitar simplificações como “cortisol alto causa todos os problemas” ou “o estresse é apenas emocional”. A interpretação depende dos sintomas, do histórico e de exames quando indicados.

Doenças cardíacas podem provocar ansiedade ou depressão?

Sim. Receber o diagnóstico de uma doença cardíaca, enfrentar limitações físicas ou passar por uma internação pode produzir medo, insegurança e tristeza. Além disso, algumas doenças cardiovasculares podem estar associadas a alterações no sono, na energia, na concentração e na autonomia.

A relação também pode envolver mecanismos biológicos. Inflamação, alterações hormonais, mudanças no sistema nervoso autônomo e efeitos de medicamentos podem contribuir para sintomas emocionais. Isso não significa que todo paciente cardíaco desenvolverá um transtorno psiquiátrico, mas indica a importância de observar mudanças persistentes.

A ansiedade depois de um infarto ou procedimento cardíaco também pode levar a evitar esforços seguros, consultas ou atividades recomendadas. Nesses casos, o cuidado psiquiátrico pode colaborar com a recuperação, sempre em articulação com a equipe cardiológica.

O que é a síndrome de Takotsubo?

A síndrome de Takotsubo, conhecida popularmente como síndrome do coração partido, é uma condição cardíaca em que o ventrículo esquerdo sofre uma alteração temporária de funcionamento. Ela pode ocorrer após situações de estresse intenso, perda, medo ou choque físico, embora os mecanismos sejam mais complexos do que uma simples explicação emocional.

Os sintomas podem se parecer com os de um infarto, incluindo dor no peito, falta de ar, palpitações e mal-estar. Não é possível distinguir com segurança essa síndrome de um infarto apenas pelos sintomas.

Dor ou pressão no peito, falta de ar intensa, suor frio, desmaio, náusea, palpitações importantes ou dor irradiada para braço, mandíbula ou costas exigem atendimento imediato. A pessoa não deve atribuir esses sinais automaticamente à ansiedade.

O sono também interfere na saúde cardiovascular?

A insônia persistente pode prejudicar a regulação da pressão arterial, do metabolismo e da resposta ao estresse. A apneia obstrutiva do sono, caracterizada por pausas respiratórias durante a noite, também está associada a riscos cardiovasculares e merece investigação.

Ronco intenso, engasgos noturnos, pausas respiratórias percebidas por outra pessoa, sonolência excessiva durante o dia e dificuldade de concentração são motivos para procurar avaliação médica.

Melhorar o sono não depende apenas de deitar mais cedo. Pode ser necessário investigar doenças clínicas, medicamentos, uso de álcool, ansiedade, depressão e alterações respiratórias durante a noite.

Como deve ser o cuidado?

A avaliação médica deve considerar a saúde cardiovascular e psiquiátrica em conjunto. Podem ser necessárias mudanças na rotina, tratamento cardiológico, acompanhamento psiquiátrico e medicamentos específicos.

Antidepressivos, ansiolíticos e outros medicamentos psiquiátricos podem ser utilizados em algumas situações, mas a escolha exige atenção a pressão arterial, ritmo cardíaco, interações e demais condições clínicas. Nenhum medicamento deve ser iniciado, interrompido ou modificado sem orientação médica.

Atividade física, alimentação adequada, redução do tabagismo, sono regular e apoio social podem contribuir para a saúde do coração e do cérebro. Essas recomendações devem ser adaptadas à condição clínica de cada pessoa, sem transformar a recuperação em uma nova fonte de cobrança.

A relação entre psiquiatria e cardiologia mostra que corpo e cérebro funcionam como sistemas interligados. Uma avaliação médica individualizada é fundamental para investigar sintomas, reconhecer riscos cardiovasculares e orientar o cuidado mais seguro para cada pessoa.

Cinco atitudes para ajudar alguém em crise de ansiedade

A ansiedade é uma resposta do organismo diante da percepção de ameaça. Em situações comuns, ela pode aumentar a vigilância e preparar a pessoa para agir. Durante uma crise, porém, o sistema de alerta pode se ativar de maneira intensa e desproporcional, mesmo quando não existe um perigo imediato.

O corpo pode reagir com taquicardia, tremores, suor, tontura, formigamento, desconforto abdominal, falta de ar ou sensação de perda de controle. Para quem observa de fora, esses sinais podem parecer exagerados. Para quem os vivencia, entretanto, o sofrimento é real e pode ser avassalador.

Uma metáfora útil é imaginar um alarme muito sensível, que dispara diante de sinais pequenos ou mesmo sem uma ameaça claramente identificável. Nesse momento, a primeira tarefa de quem oferece ajuda não é convencer a pessoa de que ela “não tem motivo para estar assim”, mas contribuir para que o ambiente se torne mais seguro e previsível.

1. Mantenha a calma e ofereça acolhimento

A pessoa em crise tende a perceber o ambiente como ameaçador. Se quem está por perto demonstra pânico, irritação ou pressa, essa reação pode aumentar a sensação de perigo.

Fale em tom tranquilo e use frases curtas. É possível dizer “eu estou aqui com você”, “vamos ficar juntos até isso passar” ou “você está em um local seguro”. Pergunte do que ela precisa e respeite a resposta.

Evite frases como “isso é frescura”, “pare de exagerar”, “você precisa se controlar” ou “não há motivo para ficar assim”. Essas expressões costumam aumentar a vergonha e o isolamento, além de não reduzirem a ativação do organismo.

2. Reduza os estímulos do ambiente

Se for possível e seguro, conduza a pessoa para um local mais silencioso, arejado e com menor circulação de pessoas. Diminua ruídos, luzes intensas e excesso de perguntas.

Não é necessário criar um ambiente completamente silencioso nem tocar na pessoa sem consentimento. Algumas pessoas se sentem melhor com a presença física de alguém de confiança; outras precisam de espaço. Perguntar antes de abraçar ou segurar a mão é uma atitude respeitosa.

O objetivo é reduzir a quantidade de informações que o organismo precisa processar enquanto o sistema de alerta está ativado.

3. Ajude a atenção a sair do ciclo de ameaça

Durante uma crise, a pessoa pode ficar muito concentrada nos batimentos cardíacos, na respiração, na tontura ou no medo de que algo grave esteja acontecendo. Essa vigilância aumenta a percepção dos sintomas e pode intensificar o ciclo de alarme.

Sem forçar, convide-a a observar aspectos concretos do ambiente. Ela pode nomear algumas cores, identificar objetos próximos, sentir os pés apoiados no chão ou descrever o que está vendo. A proposta não é negar as sensações, mas ampliar o foco da atenção.

Também pode ser útil orientar uma atividade simples, como beber pequenos goles de água ou caminhar lentamente, desde que não haja tontura intensa, risco de queda ou recomendação médica contrária.

4. Oriente uma respiração confortável, sem prender o ar

A ansiedade pode alterar o ritmo e a profundidade da respiração. Em algumas pessoas, isso contribui para tontura, formigamento e sensação de falta de ar.

A orientação deve ser suave. Convide a pessoa a respirar sem pressa, evitando puxar o ar de maneira exagerada. Pode-se inspirar pelo nariz e expirar lentamente, pela boca ou pelo nariz, sem tentar encher completamente os pulmões e sem prender a respiração por longos períodos.

O acompanhante não deve exigir que a pessoa respire de determinada maneira nem contar o tempo de forma rígida. Se a respiração controlada aumentar o desconforto, é melhor interromper a técnica e manter apenas uma postura calma e segura.

Não se recomenda utilizar saco de papel ou qualquer método que possa reduzir a oferta de oxigênio. Também é importante não atribuir automaticamente toda falta de ar à ansiedade, especialmente quando o sintoma é novo, intenso ou acompanhado de outros sinais.

5. Incentive avaliação médica após a crise

Mesmo quando os sintomas diminuem, vale conversar sobre a necessidade de uma avaliação médica. Crises repetidas, medo constante de uma nova crise, afastamento de atividades, insônia e uso de álcool ou outras substâncias para aliviar o sofrimento indicam que é importante investigar o quadro.

A ansiedade pode estar relacionada a diferentes condições psiquiátricas, doenças clínicas, efeitos de medicamentos, privação de sono ou uso de estimulantes. O médico pode avaliar essas possibilidades e orientar o cuidado mais adequado.

Não ofereça medicamentos de outra pessoa, calmantes sem prescrição, álcool, suplementos ou receitas caseiras. Também não é recomendável oferecer água com açúcar como estratégia padrão. Ela não trata uma crise de ansiedade e pode ser inadequada para pessoas com diabetes, alterações metabólicas ou restrições alimentares. Se houver suspeita de hipoglicemia, a conduta deve seguir orientação médica e, em situações relevantes, incluir atendimento imediato.

Quando é necessário procurar atendimento de urgência?

Alguns sintomas exigem avaliação imediata, principalmente quando são novos, intensos ou diferentes de episódios anteriores. Dor ou pressão no peito, falta de ar importante, desmaio, confusão, fraqueza súbita, dificuldade para falar, convulsão, alteração neurológica ou reação alérgica devem ser tratados como situações potencialmente urgentes.

Não é seguro afirmar que esses sinais são apenas ansiedade. Se houver dúvida, procure um serviço de emergência.

Pensamentos de morte ou de autoagressão também requerem cuidado urgente. A pessoa não deve permanecer sozinha. É necessário acionar alguém de confiança e buscar um serviço de emergência.

Como apoiar alguém depois da crise?

Quando a crise passar, evite interrogatórios e críticas. Pergunte como foi a experiência e o que ajudou ou piorou a situação. Essas informações podem orientar um plano para episódios futuros.

Também é importante incentivar a pessoa a registrar quando as crises ocorreram, quais sintomas apareceram, o que estava acontecendo antes e quanto tempo duraram. Esse registro não substitui uma avaliação médica, mas pode ajudar a identificar padrões.

O apoio de familiares e amigos é valioso, mas não significa assumir sozinho a responsabilidade pelo tratamento. Acolher, acompanhar e estimular a busca por atendimento são atitudes mais úteis do que tentar controlar todos os sintomas por conta própria.

Durante uma crise de ansiedade, presença tranquila, redução de estímulos e orientação cuidadosa podem fazer diferença. Uma avaliação médica individualizada é fundamental para investigar as causas dos episódios, diferenciar ansiedade de outras condições e orientar o cuidado mais seguro para cada pessoa.

Psiquiatria e doenças gastrointestinais: qual é a relação?

Psiquiatria e doenças gastrointestinais: qual é a relação?

Cyro Masci, médico psiquiatra, destaca a importância de cuidar da saúde mental, tanto para facilitar a recuperação de pessoas que sofrem de doenças gastrointestinais quanto para prevenir que portadores de doenças do trato gastrointestinal desenvolvam transtornos psiquiátricos

A “medicina psicossomática”, expressão que vem do grego psico (mente) + soma (corpo), e que foi atualizada mais recentemente no termo ‘medicina mente e corpo’, é uma das áreas da psiquiatria que se dedica a estudar a relação entre o cérebro – especialmente as emoções – e o corpo.

As situações em que a mente afeta o corpo são muito frequentes. Um estudo divulgado em 1997 pela OMS, Organização Mundial da Saúde, realizado em 15 países, constatou que 1 em cada 5 pessoas atendidas em ambulatórios de atenção primária, como de um clínico geral, sofrem de algum tipo de somatização, termo que resume os transtornos de doenças relacionadas às emoções.

Segundo o psiquiatra Cyro Masci, vários transtornos psiquiátricos, como ansiedade ou depressão, estão frequentemente associados ao surgimento ou piora de sintomas como diarreia, distensão e dor abdominal, dificuldade em engolir, mudanças na digestão ou do trânsito intestinal.

Cérebro e intestino

A relação entre o cérebro e o intestino se dá em uma via de comunicação, um eixo de ligação entre esses sistemas. “Algumas expressões populares já dão por certa essa conexão, como dizer que ao receber uma notícia ‘foi como levar um soco no estômago’, ou relatar a sensação de ‘borboletas no estômago’ em situações de medo ou raiva. E em períodos de tristeza, pode ocorrer perda do apetite”, explica o psiquiatra.

Masci esclarece que um dos distúrbios gastrointestinais mais frequentes é a Síndrome do Intestino Irritável. “Nesse tipo de enfermidade, em que existe dor ou desconforto abdominal somado a alterações na evacuação, como diarreia intercalado com prisão de ventre, ocorre uma inflamação do trato gastrointestinal que está claramente relacionada aos mecanismos de estresse nos seres humanos. Além disso, pessoas que sofrem dessa enfermidade apresentam frequentemente transtornos psiquiátricos associados. Esses transtornos incluem o transtorno de somatização, de ansiedade generalizada, de pânico e de fobias”, explica.

Já o refluxo gastroesofágico, que tem como principal sintoma a queimação na garganta e no peito, é influenciado pelas emoções e comportamento. “O estresse emocional e social, o cansaço crônico, o uso abusivo de álcool e de tabaco são considerados fatores desencadeantes ou agravantes da pirose. Além de interferir nesses fatores, a psiquiatria pode contribuir com medicações que modificam a percepção que a pessoa tem dos seus sintomas”, comenta Cyro Masci.

A úlcera péptica, que por muitos anos foi denominada de “úlcera nervosa”, teve seu tratamento bastante melhorado depois que a bactéria Helicobacter pylori teve seu papel esclarecido na origem dessa doença. Mas, segundo Cyro Masci, “não é possível atribuir somente à bactéria o aparecimento das úlceras – os fatores emocionais contribuem para o desencadeamento da úlcera péptica com frequência”.

Cyro Masci conclui que “os transtornos gastrintestinais são muito frequentes na população em geral, e podem estar associados a vários transtornos psiquiátricos”. Por isso, o acompanhamento psiquiátrico com enfoque psicossomático, em paralelo ao tratamento clínico, é muito desejável e recomendável.

“Uma abordagem que enfoque a mente e o corpo como uma unidade é sempre preferível a uma terapêutica focada apenas nas lesões ou alterações funcionais. O objetivo é considerar no tratamento os fatores emocionais, biológicos e sociais envolvidos. A mente e o corpo formam uma unidade inseparável e indivisível.”, finaliza.

Mencionado em:

O Estado de São Paulo: https://bit.ly/3qlKhwV

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A “medicina psicossomática”, expressão que vem do grego psico (mente) + soma (corpo), e que foi atualizada mais recentemente no termo ‘medicina mente e corpo’, é uma das áreas da psiquiatria que se dedica a estudar a relação entre o cérebro – especialmente as emoções – e o corpo.

As situações em que a mente afeta o corpo são muito frequentes. Um estudo divulgado em 1997 pela OMS, Organização Mundial da Saúde, realizado em 15 países, constatou que 1 em cada 5 pessoas atendidas em ambulatórios de atenção primária, como de um clínico geral, sofrem de algum tipo de somatização, termo que resume os transtornos de doenças relacionadas às emoções.

Segundo o psiquiatra Cyro Masci, vários transtornos psiquiátricos, como ansiedade ou depressão, estão frequentemente associados ao surgimento ou piora de sintomas como diarreia, distensão e dor abdominal, dificuldade em engolir, mudanças na digestão ou do trânsito intestinal.

Cérebro e intestino

A relação entre o cérebro e o intestino se dá em uma via de comunicação, um eixo de ligação entre esses sistemas. “Algumas expressões populares já dão por certa essa conexão, como dizer que ao receber uma notícia ‘foi como levar um soco no estômago’, ou relatar a sensação de ‘borboletas no estômago’ em situações de medo ou raiva. E em períodos de tristeza, pode ocorrer perda do apetite”, explica o psiquiatra.

Masci esclarece que um dos distúrbios gastrointestinais mais frequentes é a Síndrome do Intestino Irritável. “Nesse tipo de enfermidade, em que existe dor ou desconforto abdominal somado a alterações na evacuação, como diarreia intercalado com prisão de ventre, ocorre uma inflamação do trato gastrointestinal que está claramente relacionada aos mecanismos de estresse nos seres humanos. Além disso, pessoas que sofrem dessa enfermidade apresentam frequentemente transtornos psiquiátricos associados. Esses transtornos incluem o transtorno de somatização, de ansiedade generalizada, de pânico e de fobias”, explica.

Já o refluxo gastroesofágico, que tem como principal sintoma a queimação na garganta e no peito, é influenciado pelas emoções e comportamento. “O estresse emocional e social, o cansaço crônico, o uso abusivo de álcool e de tabaco são considerados fatores desencadeantes ou agravantes da pirose. Além de interferir nesses fatores, a psiquiatria pode contribuir com medicações que modificam a percepção que a pessoa tem dos seus sintomas”, comenta Cyro Masci.

A úlcera péptica, que por muitos anos foi denominada de “úlcera nervosa”, teve seu tratamento bastante melhorado depois que a bactéria Helicobacter pylori teve seu papel esclarecido na origem dessa doença. Mas, segundo Cyro Masci, “não é possível atribuir somente à bactéria o aparecimento das úlceras – os fatores emocionais contribuem para o desencadeamento da úlcera péptica com frequência”.

Cyro Masci conclui que “os transtornos gastrintestinais são muito frequentes na população em geral, e podem estar associados a vários transtornos psiquiátricos”. Por isso, o acompanhamento psiquiátrico com enfoque psicossomático, em paralelo ao tratamento clínico, é muito desejável e recomendável.

“Uma abordagem que enfoque a mente e o corpo como uma unidade é sempre preferível a uma terapêutica focada apenas nas lesões ou alterações funcionais. O objetivo é considerar no tratamento os fatores emocionais, biológicos e sociais envolvidos. A mente e o corpo formam uma unidade inseparável e indivisível.”, finaliza.

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Burnout: psiquiatra destaca a necessidade de diagnóstico e tratamento precoce

Burnout: psiquiatra destaca a necessidade de diagnóstico e tratamento precoce

Pesquisa indica que em 2020 a sobrecarga causada pela pandemia contribuiu para quadros mais frequentes de fadiga, exaustão e burnout entre os brasileiros

Um estudo encomendado pela Microsoft, e realizado pela empresa de análises Harris, em 2020, constatou que, entre 6 mil pessoas entrevistadas em 8 países, os brasileiros foram os que mais relataram fadiga e exaustão durante a pandemia: 44% dos respondentes declararam que são atingidos pelo problema.

O número é alarmante e se acentua quando contraposto com a população de outros países: Singapura, que ocupa o segundo lugar do ranking, apresentou 37% dos respondentes no cenário. Na sequência, vem os Estados Unidos, com 31%; Índia, com 29% e Austrália, com 28%.

Para o psiquiatra Cyro Masci, essa fadiga pode ser indicativa de Burnout, termo que pode ser traduzido literalmente como “queima” ou “combustão total”. O quadro inclui, além da exaustão física e emocional, sintomas de irritabilidade e cinismo, assim como redução significativa no senso de realização pessoal ou de eficácia no trabalho.

Segundo o médico, “o Burnout muitas vezes se instala sem a percepção clara de quem está sendo acometido. Um dos motivos para isso é que esse quadro é bastante comum em pessoas perfeccionistas e que empenham muita energia no trabalho. Quando o Burnout tem início, os primeiros sintomas podem ser apenas queda na sua produtividade, que tende a ser acompanhado de mais empenho no trabalho”, explica.

Entretanto, esse aumento de energia com foco na atividade laboral pode trazer um “efeito rebote”. “Com a presença do cansaço, o resultado será ainda mais queda na produtividade, que, por sua vez, gera mais frustração. Desse modo um ciclo vicioso é fechado e, sem que exista consciência dele, dificilmente a pessoa consegue escapar”, enfatiza o psiquiatra.

Recorrência do Burnout

Masci destaca que as mulheres parecem ser mais suscetíveis ao Burnout. O psiquiatra realiza o apontamento com base em um trabalho da Universidade de Montreal, no Canadá, publicado no Annals of Work Exposures and Health em 2018, que levantou o ponto.

E a razão para essa diferença na vulnerabilidade, segundo Cyro Masci, é que as mulheres apresentam diferença na ordem dos sintomas. “Enquanto os homens tendem a apresentar sintomas como irritabilidade ou cinismo como primeira manifestação do Burnout, as mulheres, por sua vez, apresentam sintomas de fadiga extrema logo no início do quadro”, explica Cyro Masci. Mas, mesmo que a ordem de aparecimento seja diferente entre os gêneros, o cansaço físico e emocional sempre faz parte do burnout.

De acordo com o especialista, o cansaço físico é sentido e pode ser reconhecido como falta de energia para realizar as atividades profissionais e do dia a dia, com a característica de que não melhora após medidas de repouso habitual, como uma boa noite de sono ou um final de semana sem preocupações. Já o cansaço mental costuma ser referido como um estado de exaustão emocional. “É como se a pessoa tivesse as energias drenadas, sugadas, restando pouca força, esperança ou motivação para domar o próprio destino”, relata o médico.

Sinais de alerta

Segundo Masci, outro sintoma importante a ser observado é a irritabilidade por pequenos motivos, além de cinismo e sarcasmo. “Esses sintomas traduzem uma reação automática do cérebro, que adota uma postura de reduzir situações que estão favorecendo a sobrecarga. Uma pessoa ponderada pode, por exemplo, passar a apresentar reações ‘de pavio curto’. Esse é um modo do cérebro afastar o excesso de acontecimentos e circunstâncias que estão temporariamente acima da capacidade de enfrentamento”, esclarece o psiquiatra.

Ocorre também mudança na motivação. “O que antes era um desafio até mesmo agradável, na presença do burnout se transforma em fonte de desprazer, de sofrimento físico e mental, que se manifesta como dores de cabeça e até mesmo desarranjo intestinal”, relata Cyro Masci.

Por fim, o médico acentua que o Burnout deve ser levado a sério e exige abordagem especializada. Inicialmente é necessária investigação clínica, para averiguar se a fadiga não tem origem em alguma doença, como anemia ou tiroide. Não havendo doença orgânica que justifique o cansaço, o ideal é iniciar o tratamento o mais breve possível.

“O objetivo é impedir que o quadro se torne crônico, acarretando prejuízos sociais, pessoais ou financeiros como consequência do transtorno. A abordagem que inclua tanto as alterações biológicas, em especial no cérebro, quanto os aspectos sociais e comportamentais é o ideal”, finaliza o psiquiatra.

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Um estudo encomendado pela Microsoft, e realizado pela empresa de análises Harris, em 2020, constatou que, entre 6 mil pessoas entrevistadas em 8 países, os brasileiros foram os que mais relataram fadiga e exaustão durante a pandemia: 44% dos respondentes declararam que são atingidos pelo problema.

O número é alarmante e se acentua quando contraposto com a população de outros países: Singapura, que ocupa o segundo lugar do ranking, apresentou 37% dos respondentes no cenário. Na sequência, vem os Estados Unidos, com 31%; Índia, com 29% e Austrália, com 28%.

Para o psiquiatra Cyro Masci, essa fadiga pode ser indicativa de Burnout, termo que pode ser traduzido literalmente como “queima” ou “combustão total”. O quadro inclui, além da exaustão física e emocional, sintomas de irritabilidade e cinismo, assim como redução significativa no senso de realização pessoal ou de eficácia no trabalho.

Segundo o médico, “o Burnout muitas vezes se instala sem a percepção clara de quem está sendo acometido. Um dos motivos para isso é que esse quadro é bastante comum em pessoas perfeccionistas e que empenham muita energia no trabalho. Quando o Burnout tem início, os primeiros sintomas podem ser apenas queda na sua produtividade, que tende a ser acompanhado de mais empenho no trabalho”, explica.

Entretanto, esse aumento de energia com foco na atividade laboral pode trazer um “efeito rebote”. “Com a presença do cansaço, o resultado será ainda mais queda na produtividade, que, por sua vez, gera mais frustração. Desse modo um ciclo vicioso é fechado e, sem que exista consciência dele, dificilmente a pessoa consegue escapar”, enfatiza o psiquiatra.

Recorrência do Burnout

Masci destaca que as mulheres parecem ser mais suscetíveis ao Burnout. O psiquiatra realiza o apontamento com base em um trabalho da Universidade de Montreal, no Canadá, publicado no Annals of Work Exposures and Health em 2018, que levantou o ponto.

E a razão para essa diferença na vulnerabilidade, segundo Cyro Masci, é que as mulheres apresentam diferença na ordem dos sintomas. “Enquanto os homens tendem a apresentar sintomas como irritabilidade ou cinismo como primeira manifestação do Burnout, as mulheres, por sua vez, apresentam sintomas de fadiga extrema logo no início do quadro”, explica Cyro Masci. Mas, mesmo que a ordem de aparecimento seja diferente entre os gêneros, o cansaço físico e emocional sempre faz parte do burnout.

De acordo com o especialista, o cansaço físico é sentido e pode ser reconhecido como falta de energia para realizar as atividades profissionais e do dia a dia, com a característica de que não melhora após medidas de repouso habitual, como uma boa noite de sono ou um final de semana sem preocupações. Já o cansaço mental costuma ser referido como um estado de exaustão emocional. “É como se a pessoa tivesse as energias drenadas, sugadas, restando pouca força, esperança ou motivação para domar o próprio destino”, relata o médico.

Sinais de alerta

Segundo Masci, outro sintoma importante a ser observado é a irritabilidade por pequenos motivos, além de cinismo e sarcasmo. “Esses sintomas traduzem uma reação automática do cérebro, que adota uma postura de reduzir situações que estão favorecendo a sobrecarga. Uma pessoa ponderada pode, por exemplo, passar a apresentar reações ‘de pavio curto’. Esse é um modo do cérebro afastar o excesso de acontecimentos e circunstâncias que estão temporariamente acima da capacidade de enfrentamento”, esclarece o psiquiatra.

Ocorre também mudança na motivação. “O que antes era um desafio até mesmo agradável, na presença do burnout se transforma em fonte de desprazer, de sofrimento físico e mental, que se manifesta como dores de cabeça e até mesmo desarranjo intestinal”, relata Cyro Masci.

Por fim, o médico acentua que o Burnout deve ser levado a sério e exige abordagem especializada. Inicialmente é necessária investigação clínica, para averiguar se a fadiga não tem origem em alguma doença, como anemia ou tiroide. Não havendo doença orgânica que justifique o cansaço, o ideal é iniciar o tratamento o mais breve possível.

“O objetivo é impedir que o quadro se torne crônico, acarretando prejuízos sociais, pessoais ou financeiros como consequência do transtorno. A abordagem que inclua tanto as alterações biológicas, em especial no cérebro, quanto os aspectos sociais e comportamentais é o ideal”, finaliza o psiquiatra.

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Transtornos mentais em atletas de alto rendimento gera debate sobre saúde mental

Transtornos mentais em atletas de alto rendimento gera debate sobre saúde mental

Situações recentes com esportistas de ponta, como a ginasta Simone Biles trazem a questão da depressão e da ansiedade para o centro da pauta; o psiquiatra Cyro Masci indica alguns sinais e sintomas de alerta para procurar ajuda

Quando a atleta estadunidense Simone Biles, considerada uma das maiores ginastas de todos os tempos, anunciou que não iria disputar algumas provas em que era a grande favorita nas Olimpíadas de Tóquio, alegando que precisava cuidar de sua saúde mental, abriu-se um grande debate: até que ponto esportistas de alto rendimento podem suportar a sobrecarga emocional imposta pela rotina de treinos, competições e busca por recordes e medalhas?

A norte-americana relatou ter tomado a decisão de modo a preservar sua saúde mental, evitando, assim, danos à sua integridade física. Em uma competição em que são grandes os riscos de quedas, é preciso mais que um bom preparo físico. “Minha mente e meu corpo simplesmente estão fora de sincronia. Não acho que vocês entendam quão perigoso isso é nas superfícies de competições duras. Eu não preciso explicar por que coloquei a saúde em primeiro lugar”, publicou a ginasta em suas redes sociais.

O psiquiatra Cyro Masci ressalta que a sobrecarga emocional é algo que pode atingir a todos. “Tanto a ansiedade quanto a tristeza eventual fazem parte da vida de qualquer pessoa. No entanto, quando ultrapassam o limite do razoável, por exemplo, afetando as atividades do dia a dia, a vida familiar ou a alegria de viver, é necessário procurar ajuda”, alerta.

Para o especialista, quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento com acompanhamento profissional, maiores são as chances de recuperação para casos de depressão e ansiedade. Masci destaca a necessidade de um conhecimento mínimo sobre os principais sinais e sintomas dos transtornos, destacando alguns indícios que podem indicar tais situações.

A mudança nos hábitos do dia a dia podem ser sinais incipientes tanto de ansiedade quanto de depressão, pontua Masci, especificando que “o aumento ou a diminuição da quantidade de comida ingerida, a facilidade de adormecimento, a alteração na qualidade do sono e do desejo sexual” são alguns indicativos para se ficar atento.

Estudo publicado em 2016 no periódico Frontiers in Psychology aponta que a prevalência de depressão costuma ser maior em atletas que praticam esportes individuais do que naqueles que disputam competições em equipe. Outra análise, publicada em 2018 pelo European Journal of Sport Science, após acompanhamento pelo período de um ano de atletas de elite, indicou que transtornos de saúde mental ocorreram em 5% a 35% destes esportistas.

Alguns sinais e sintomas que podem indicar o acometimento da depressão

Quando Simone Biles explicitou o descompasso de sua mente com seu corpo durante a disputa dos Jogos Olímpicos, a ginasta trouxe à tona outro sinal indicativo de transtorno mental: a dificuldade na capacidade de concentração. “O estado de ansiedade e a tristeza podem alterar as funções executivas do cérebro, o que inclui o gerenciamento do dia a dia. Isto pode acarretar em dificuldade na manutenção da atenção e da concentração em algum afazer, por mais simples que seja”, diz o especialista.

Para Masci, isso se dá pelo fato de a depressão afetar funções executivas do cérebro relativas ao despertar e à manutenção do interesse nos acontecimentos cotidianos. “A ansiedade, por sua vez, mantém um estado de alerta que prejudica a capacidade do cérebro em manter o foco, já que há um senso de perigo, ainda que difuso, que desvia as capacidades de foco para o estado de alerta”, completa.

O desânimo ou a indiferença em ocupações outrora prazerosas também são sinais que devem ser encarados com atenção. Masci cita o caso do holandês Tom Dumoulin, considerado um dos melhores ciclistas do mundo, que, em pleno ano olímpico, tirou um período sabático para, nas palavras dele, “esfriar a cabeça” – o cuidado com si próprio o fez bem, visto que o atleta faturou a medalha de prata na prova de contrarrelógio em Tóquio.

“A depressão costuma se anunciar com perda ou redução significativa e interesse nas ocupações que antes eram prazerosas, e também a sensação de que a vida perdeu qualquer significado”, diz o especialista.

Aprendendo com os atletas de alta performance

O psiquiatra afirma que muitas pessoas postergam a iniciativa de procurar ajuda profissional por preconceito ou, ainda, pela naturalização do sofrimento. “Às vezes, convivemos com outras pessoas que também estão passando por momentos de dificuldade emocional e pensamos ‘a vida é assim mesmo’. Mas não é”, diz Masci.

Neste sentido, é sintomática a campanha recentemente criada pela Fifa, batizada de #ReachOut (“estenda a mão”, em tradução livre), desenvolvida para aumentar a conscientização sobre os sintomas dos problemas de saúde mental, de modo a incentivar os atletas para que procurem ajuda especializada quando necessária.

“Podemos aprender muito com os atletas de alta performance, tanto pela luta e superação quanto pela coragem de determinação em procurar ajuda quando essa é necessária”, finaliza Masci.

Quando a atleta estadunidense Simone Biles, considerada uma das maiores ginastas de todos os tempos, anunciou que não iria disputar algumas provas em que era a grande favorita nas Olimpíadas de Tóquio, alegando que precisava cuidar de sua saúde mental, abriu-se um grande debate: até que ponto esportistas de alto rendimento podem suportar a sobrecarga emocional imposta pela rotina de treinos, competições e busca por recordes e medalhas?

A norte-americana relatou ter tomado a decisão de modo a preservar sua saúde mental, evitando, assim, danos à sua integridade física. Em uma competição em que são grandes os riscos de quedas, é preciso mais que um bom preparo físico. “Minha mente e meu corpo simplesmente estão fora de sincronia. Não acho que vocês entendam quão perigoso isso é nas superfícies de competições duras. Eu não preciso explicar por que coloquei a saúde em primeiro lugar”, publicou a ginasta em suas redes sociais.

O psiquiatra Cyro Masci ressalta que a sobrecarga emocional é algo que pode atingir a todos. “Tanto a ansiedade quanto a tristeza eventual fazem parte da vida de qualquer pessoa. No entanto, quando ultrapassam o limite do razoável, por exemplo, afetando as atividades do dia a dia, a vida familiar ou a alegria de viver, é necessário procurar ajuda”, alerta.

Para o especialista, quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento com acompanhamento profissional, maiores são as chances de recuperação para casos de depressão e ansiedade. Masci destaca a necessidade de um conhecimento mínimo sobre os principais sinais e sintomas dos transtornos, destacando alguns indícios que podem indicar tais situações.

A mudança nos hábitos do dia a dia podem ser sinais incipientes tanto de ansiedade quanto de depressão, pontua Masci, especificando que “o aumento ou a diminuição da quantidade de comida ingerida, a facilidade de adormecimento, a alteração na qualidade do sono e do desejo sexual” são alguns indicativos para se ficar atento.

Estudo publicado em 2016 no periódico Frontiers in Psychology aponta que a prevalência de depressão costuma ser maior em atletas que praticam esportes individuais do que naqueles que disputam competições em equipe. Outra análise, publicada em 2018 pelo European Journal of Sport Science, após acompanhamento pelo período de um ano de atletas de elite, indicou que transtornos de saúde mental ocorreram em 5% a 35% destes esportistas.

Alguns sinais e sintomas que podem indicar o acometimento da depressão

Quando Simone Biles explicitou o descompasso de sua mente com seu corpo durante a disputa dos Jogos Olímpicos, a ginasta trouxe à tona outro sinal indicativo de transtorno mental: a dificuldade na capacidade de concentração. “O estado de ansiedade e a tristeza podem alterar as funções executivas do cérebro, o que inclui o gerenciamento do dia a dia. Isto pode acarretar em dificuldade na manutenção da atenção e da concentração em algum afazer, por mais simples que seja”, diz o especialista.

Para Masci, isso se dá pelo fato de a depressão afetar funções executivas do cérebro relativas ao despertar e à manutenção do interesse nos acontecimentos cotidianos. “A ansiedade, por sua vez, mantém um estado de alerta que prejudica a capacidade do cérebro em manter o foco, já que há um senso de perigo, ainda que difuso, que desvia as capacidades de foco para o estado de alerta”, completa.

O desânimo ou a indiferença em ocupações outrora prazerosas também são sinais que devem ser encarados com atenção. Masci cita o caso do holandês Tom Dumoulin, considerado um dos melhores ciclistas do mundo, que, em pleno ano olímpico, tirou um período sabático para, nas palavras dele, “esfriar a cabeça” – o cuidado com si próprio o fez bem, visto que o atleta faturou a medalha de prata na prova de contrarrelógio em Tóquio.

“A depressão costuma se anunciar com perda ou redução significativa e interesse nas ocupações que antes eram prazerosas, e também a sensação de que a vida perdeu qualquer significado”, diz o especialista.

Aprendendo com os atletas de alta performance

O psiquiatra afirma que muitas pessoas postergam a iniciativa de procurar ajuda profissional por preconceito ou, ainda, pela naturalização do sofrimento. “Às vezes, convivemos com outras pessoas que também estão passando por momentos de dificuldade emocional e pensamos ‘a vida é assim mesmo’. Mas não é”, diz Masci.

Neste sentido, é sintomática a campanha recentemente criada pela Fifa, batizada de #ReachOut (“estenda a mão”, em tradução livre), desenvolvida para aumentar a conscientização sobre os sintomas dos problemas de saúde mental, de modo a incentivar os atletas para que procurem ajuda especializada quando necessária.

“Podemos aprender muito com os atletas de alta performance, tanto pela luta e superação quanto pela coragem de determinação em procurar ajuda quando essa é necessária”, finaliza Masci.

Otimismo sem ilusão, como cultivar uma visão mais equilibrada da vida

A maneira como uma pessoa interpreta o futuro pode influenciar suas escolhas, seu nível de estresse e a forma como enfrenta dificuldades. Ter esperança pode favorecer a busca por soluções, a manutenção de hábitos de cuidado e a procura por ajuda quando necessário.

Isso não significa imaginar que tudo dará certo ou ignorar perigos concretos. O otimismo realista combina confiança na possibilidade de mudança com atenção aos fatos. Ele se distancia tanto do pessimismo permanente, que enxerga o fracasso como inevitável, quanto do otimismo cego, que nega riscos e evita decisões necessárias.

O que o otimismo pode mudar no cotidiano?

Uma expectativa mais favorável pode influenciar a maneira como a pessoa reage às dificuldades. Em vez de considerar um problema como definitivo, ela pode entendê-lo como uma situação que ainda pode ser modificada, administrada ou atravessada com apoio.

Essa interpretação pode favorecer comportamentos concretos, como manter consultas, seguir orientações médicas, cuidar do sono, praticar atividade física compatível com a condição de saúde e preservar vínculos importantes.

O otimismo, portanto, não deve ser entendido como uma substância interna capaz de produzir saúde automaticamente. O funcionamento do organismo depende de redes complexas que envolvem cérebro, sistema cardiovascular, hormônios, imunidade, hábitos e condições sociais.

Qual é a diferença entre esperança e negação da realidade?

A esperança considera que existem possibilidades, mas não ignora os obstáculos. Uma pessoa esperançosa pode reconhecer que está doente, admitir que enfrenta dificuldades financeiras ou perceber que determinado relacionamento se tornou prejudicial. Ainda assim, procura identificar quais decisões estão ao seu alcance.

Já a negação da realidade costuma impedir medidas importantes. Alguém que acredita que “tudo vai se resolver sozinho” pode adiar uma consulta, ignorar sintomas cardiovasculares ou manter hábitos que aumentam riscos à saúde.

O otimismo realista funciona como uma bússola, não como um mapa detalhado do futuro. Ele não informa exatamente o que acontecerá, mas pode ajudar a manter a direção enquanto a pessoa avalia o terreno e ajusta o caminho.

Como desenvolver uma visão mais equilibrada?

Um primeiro passo é separar fatos de interpretações. Diante de uma dificuldade, pergunte o que efetivamente ocorreu, qual significado foi atribuído ao acontecimento e quais outras explicações são possíveis.

Também pode ser útil avaliar se o problema está sendo visto como permanente, abrangente e impossível de modificar. Uma demissão, por exemplo, pode ser uma experiência dolorosa, mas não necessariamente define toda a trajetória profissional. Uma crítica pode indicar um aspecto a ser revisto, sem representar uma condenação completa da pessoa.

Outra medida é reconhecer avanços proporcionais. Em períodos difíceis, realizar uma tarefa básica, pedir ajuda, comparecer a uma consulta ou retomar uma atividade pode representar um passo relevante. A comparação com desempenhos anteriores pode apagar progressos que merecem ser percebidos.

Essas estratégias não exigem negar tristeza, medo ou frustração. Emoções desagradáveis fazem parte da experiência humana e podem fornecer informações importantes. O objetivo é evitar que uma emoção momentânea seja transformada em uma conclusão definitiva sobre o futuro.

Quando o pessimismo exige atenção médica?

Pessimismo persistente pode ocorrer durante fases difíceis, mas merece avaliação quando vem acompanhado de tristeza prolongada, perda de interesse, irritabilidade, fadiga, alterações do sono, mudanças no apetite, dificuldade de concentração ou sensação de inutilidade.

Esses sinais podem estar relacionados a transtornos depressivos, ansiedade, distúrbios do sono, uso de substâncias, alterações hormonais ou outras condições clínicas. O transtorno depressivo persistente, anteriormente chamado em muitos contextos de distimia, pode envolver humor deprimido e pessimismo durante longos períodos.

Não é adequado responsabilizar a pessoa por não conseguir “pensar positivo”. Em alguns casos, alterações persistentes do funcionamento cerebral e do organismo dificultam a mudança de perspectiva e exigem tratamento médico.

O otimismo também não substitui o cuidado cardiovascular. Controle da pressão arterial, colesterol e glicemia, alimentação equilibrada, atividade física compatível, sono adequado, abandono do cigarro e acompanhamento médico continuam sendo medidas importantes.

O otimismo realista não promete que tudo dará certo. Ele permite reconhecer as dificuldades sem concluir que elas determinam todo o futuro. Uma avaliação médica individualizada é fundamental para compreender sintomas persistentes, investigar possíveis causas e orientar o cuidado mais seguro para cada pessoa.

Covid-19 pode desencadear Síndrome da Fadiga Crônica, sugerem estudos

Covid-19 pode desencadear Síndrome da Fadiga Crônica, sugerem estudos

A Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença caracterizada por cansaço extremo, que pode durar meses; de acordo com o médico psiquiatra Cyro Masci, diagnóstico precoce de enfermidade colabora para tratamento eficaz

A pandemia de Covid-19 tem desencadeado, ao longo dos últimos meses, uma série de estudos sobre como o corpo humano reage de maneira diversa à infecção do coronavírus Sars-Cov-2. Do mesmo modo, teóricos da saúde humana se debruçam sobre a questão das sequelas surgidas naqueles que sobreviveram à doença, sendo a Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) uma destas possíveis consequências surgidas a partir da infecção de Covid-19.

Também chamada de Encefalomielite Miálgica, a Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença caracterizada principalmente por cansaço extremo, que pode durar mais de seis meses, além de comprometimento da memória e da capacidade de concentração. Segundo um estudo recente do Journal of Translational Medicine, que contemplou a revisão de trabalhos publicados por quase 40 anos, o número de acometidos gira em torno de 1% da população, sendo que as mulheres são atingidas entre 1,5 a 2 vezes mais do que os homens.

“Síndrome pós-Covid”

A infecção pelo Sars-Cov-2, segundo alguns estudos, pode ser um desencadeador da SFC em pessoas que sobreviveram à Covid-19. De acordo um artigo publicado no jornal Molecular Psychiatry, as semelhanças “impressionantes” dos sintomas da Encefalomielite Miálgica com algumas sequelas verificadas em pacientes que se curaram da enfermidade causada pelo novo coronavírus fizeram com que tal “fenômeno avassalador, ainda não bem definido”, fosse chamado de “Covid prolongada” ou “Síndrome pós-Covid”.

Para o médico psiquiatra Cyro Masci, um dos problemas que a SFC enfrenta é a má divulgação, “até mesmo no meio médico”, que chegou a levar a Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos a propor, em 2015, uma mudança nome da enfermidade para facilitar o diagnóstico e aprimorar seu tratamento.

Cyro Masci ressalta que, neste relatório da entidade estadunidense, foi destacado que menos da metade dos livros de medicina e menos de um terço dos currículos escolares médicos continham qualquer informação sobre a doença, resultando em diagnósticos tardios e abordagem inadequada dos sintomas dos pacientes.

Para Masci, a origem do problema ainda está sendo elucidada, “mas sabemos que a inflamação no cérebro gerada por infecção viral tem um papel muito importante”. O fato de um terço dos pacientes que contraíram Covid-19 (e 46% dos que ficaram em UTI) terem desenvolvido transtornos neurológicos ou psiquiátricos, de acordo com artigo recente do The Lancet Psychiatry, é um indicativo disso, segundo Masci.

Cansaço persistente pode ser indicativo da SFC

Diante desse quadro, o psiquiatra esclarece que alguns sintomas são indicativos de que a SFC possa estar se instalando, especialmente o cansaço persistente, que tem pouca melhora com medidas simples, como o repouso, prejudicando as funções do dia a dia.

“Esse cansaço pode ser acompanhado do comprometimento da capacidade de manutenção da atenção e do foco nas atividades, além da memorização. A sensação de fraqueza generalizada, além de algum grau de instabilidade emocional também é comum”, pontua Masci. “Além disso, estes sintomas costumam piorar após esforço físico, mental ou emocional, sendo que a própria percepção dessas dificuldades pode ocasionar sentimentos de tristeza ou ansiedade”, conclui.

Cyro Masci acrescenta que diversas doenças podem causar cansaço prolongado, mas que a possibilidade de a SFC ter se instalado deve ser sempre levada em conta, “mesmo que os exames habituais não apontem anormalidade”, visto que os exames rotineiros muitas vezes não fornecem todos os dados necessários para diagnóstico. “É essencial que essa doença seja mais bem diagnosticada para que haja um tratamento eficaz”, finaliza.

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A pandemia de Covid-19 tem desencadeado, ao longo dos últimos meses, uma série de estudos sobre como o corpo humano reage de maneira diversa à infecção do coronavírus Sars-Cov-2. Do mesmo modo, teóricos da saúde humana se debruçam sobre a questão das sequelas surgidas naqueles que sobreviveram à doença, sendo a Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) uma destas possíveis consequências surgidas a partir da infecção de Covid-19.

Também chamada de Encefalomielite Miálgica, a Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença caracterizada principalmente por cansaço extremo, que pode durar mais de seis meses, além de comprometimento da memória e da capacidade de concentração. Segundo um estudo recente do Journal of Translational Medicine, que contemplou a revisão de trabalhos publicados por quase 40 anos, o número de acometidos gira em torno de 1% da população, sendo que as mulheres são atingidas entre 1,5 a 2 vezes mais do que os homens.

“Síndrome pós-Covid”

A infecção pelo Sars-Cov-2, segundo alguns estudos, pode ser um desencadeador da SFC em pessoas que sobreviveram à Covid-19. De acordo um artigo publicado no jornal Molecular Psychiatry, as semelhanças “impressionantes” dos sintomas da Encefalomielite Miálgica com algumas sequelas verificadas em pacientes que se curaram da enfermidade causada pelo novo coronavírus fizeram com que tal “fenômeno avassalador, ainda não bem definido”, fosse chamado de “Covid prolongada” ou “Síndrome pós-Covid”.

Para o médico psiquiatra Cyro Masci, um dos problemas que a SFC enfrenta é a má divulgação, “até mesmo no meio médico”, que chegou a levar a Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos a propor, em 2015, uma mudança nome da enfermidade para facilitar o diagnóstico e aprimorar seu tratamento.

Cyro Masci ressalta que, neste relatório da entidade estadunidense, foi destacado que menos da metade dos livros de medicina e menos de um terço dos currículos escolares médicos continham qualquer informação sobre a doença, resultando em diagnósticos tardios e abordagem inadequada dos sintomas dos pacientes.

Para Masci, a origem do problema ainda está sendo elucidada, “mas sabemos que a inflamação no cérebro gerada por infecção viral tem um papel muito importante”. O fato de um terço dos pacientes que contraíram Covid-19 (e 46% dos que ficaram em UTI) terem desenvolvido transtornos neurológicos ou psiquiátricos, de acordo com artigo recente do The Lancet Psychiatry, é um indicativo disso, segundo Masci.

Cansaço persistente pode ser indicativo da SFC

Diante desse quadro, o psiquiatra esclarece que alguns sintomas são indicativos de que a SFC possa estar se instalando, especialmente o cansaço persistente, que tem pouca melhora com medidas simples, como o repouso, prejudicando as funções do dia a dia.

“Esse cansaço pode ser acompanhado do comprometimento da capacidade de manutenção da atenção e do foco nas atividades, além da memorização. A sensação de fraqueza generalizada, além de algum grau de instabilidade emocional também é comum”, pontua Masci. “Além disso, estes sintomas costumam piorar após esforço físico, mental ou emocional, sendo que a própria percepção dessas dificuldades pode ocasionar sentimentos de tristeza ou ansiedade”, conclui.

Cyro Masci acrescenta que diversas doenças podem causar cansaço prolongado, mas que a possibilidade de a SFC ter se instalado deve ser sempre levada em conta, “mesmo que os exames habituais não apontem anormalidade”, visto que os exames rotineiros muitas vezes não fornecem todos os dados necessários para diagnóstico. “É essencial que essa doença seja mais bem diagnosticada para que haja um tratamento eficaz”, finaliza.

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Neurociências ajudam a esclarecer a síndrome do pânico

Neurociências ajudam a esclarecer a síndrome do pânico

O desenvolvimento das neurociências permitiu um maior entendimento do que ocorre no cérebro, e na verdade o pânico é o resultado de um desequilíbrio em áreas do cérebro responsáveis por reações automáticas de sobrevivência.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde — OMS, a síndrome do pânico, ou transtorno de pânico, afeta aproximadamente entre 2% a 4% da população mundial, com pico entre os 20 e 24 anos de idade, sendo que normalmente acomete pessoas acima dos 14 anos. Ou seja, é bastante rara na terceira idade.

O pânico tem como característica uma sensação de medo intenso, um pavor imenso, acompanhado de sintomas corporais bastante incômodos, e também pode vir acompanhado de outros transtornos psiquiátricos, como a depressão, a ansiedade generalizada, as fobias e até mesmo com dependência química, já que pode ocorrer um aumento do consumo de álcool para tentar aliviar os sintomas.

O desenvolvimento das neurociências permitiu um maior entendimento do que ocorre no cérebro, e na verdade o pânico é o resultado de um desequilíbrio em áreas do cérebro responsáveis por reações automáticas de sobrevivência.

Nosso cérebro possui regiões para detectar e reagir a perigos. E o que a neurociência descobriu é que, no transtorno de pânico, essas regiões emitem sinais falsos, gerando informação equivocada de que há um grande perigo acontecendo.

Essas regiões do cérebro têm por função atender às necessidades básicas de sobrevivência como, por exemplo, colocar o corpo em movimento para enfrentar ou fugir de uma ameaça.

A síndrome do pânico ocorre nessas regiões que nos alertam a perigos e, como resultado, ocorre um medo intenso, um pavor enorme, paralisante, como se a morte fosse acontecer a qualquer momento.

Uma característica que distingue a síndrome do pânico de outros transtornos psiquiátricos, como a ansiedade crônica, é que os sintomas são recorrentes, a crise acontece com certa frequência, e não de uma única vez ou esporadicamente. Outra característica é que esse pavor aparece em situações específicas em mais ou menos metade das vezes. Na outra metade surge ‘do nada’. A pessoa está muito bem, ou está simplesmente dormindo, e começa a ter essa reação.

As situações específicas que desencadeiam a crise de pânico também são explicadas pela neurociência. Trazemos em nosso DNA a informação no cérebro de que situações em que a saída é difícil são perigosas. Assim, as crises são muitas vezes relacionadas a situações em que a pessoa está de algum modo encurralada, sem um lugar fácil para escapar, como estar no trânsito, dentro de um metrô, teatro, cinema ou dentro de um avião, principalmente quando as portas se fecham.

Esse transtorno psiquiátrico compromete de maneira bastante séria a vida social, profissional e de relacionamentos afetivos, o que leva, com frequência, ao que chamamos de desabilitação, com perda importante da qualidade de vida, autonomia e capacidade de traçar seu próprio caminho.

Para a grande maioria dos portadores de pânico, o tratamento psiquiátrico adequado é imprescindível. Sem um acompanhamento correto, dificilmente a evolução da Síndrome do Pânico evolui de maneira satisfatória.

A notícia boa é que existe tratamento psiquiátrico eficaz, sendo que, quanto mais precocemente for instalado, mais fácil será o controle.

Texto de Cyro Masci publicado originalmente em Infovital

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde — OMS, a síndrome do pânico, ou transtorno de pânico, afeta aproximadamente entre 2% a 4% da população mundial, com pico entre os 20 e 24 anos de idade, sendo que normalmente acomete pessoas acima dos 14 anos. Ou seja, é bastante rara na terceira idade.

O pânico tem como característica uma sensação de medo intenso, um pavor imenso, acompanhado de sintomas corporais bastante incômodos, e também pode vir acompanhado de outros transtornos psiquiátricos, como a depressão, a ansiedade generalizada, as fobias e até mesmo com dependência química, já que pode ocorrer um aumento do consumo de álcool para tentar aliviar os sintomas.

O desenvolvimento das neurociências permitiu um maior entendimento do que ocorre no cérebro, e na verdade o pânico é o resultado de um desequilíbrio em áreas do cérebro responsáveis por reações automáticas de sobrevivência.

Nosso cérebro possui regiões para detectar e reagir a perigos. E o que a neurociência descobriu é que, no transtorno de pânico, essas regiões emitem sinais falsos, gerando informação equivocada de que há um grande perigo acontecendo.

Essas regiões do cérebro têm por função atender às necessidades básicas de sobrevivência como, por exemplo, colocar o corpo em movimento para enfrentar ou fugir de uma ameaça.

A síndrome do pânico ocorre nessas regiões que nos alertam a perigos e, como resultado, ocorre um medo intenso, um pavor enorme, paralisante, como se a morte fosse acontecer a qualquer momento.

Uma característica que distingue a síndrome do pânico de outros transtornos psiquiátricos, como a ansiedade crônica, é que os sintomas são recorrentes, a crise acontece com certa frequência, e não de uma única vez ou esporadicamente. Outra característica é que esse pavor aparece em situações específicas em mais ou menos metade das vezes. Na outra metade surge ‘do nada’. A pessoa está muito bem, ou está simplesmente dormindo, e começa a ter essa reação.

As situações específicas que desencadeiam a crise de pânico também são explicadas pela neurociência. Trazemos em nosso DNA a informação no cérebro de que situações em que a saída é difícil são perigosas. Assim, as crises são muitas vezes relacionadas a situações em que a pessoa está de algum modo encurralada, sem um lugar fácil para escapar, como estar no trânsito, dentro de um metrô, teatro, cinema ou dentro de um avião, principalmente quando as portas se fecham.

Esse transtorno psiquiátrico compromete de maneira bastante séria a vida social, profissional e de relacionamentos afetivos, o que leva, com frequência, ao que chamamos de desabilitação, com perda importante da qualidade de vida, autonomia e capacidade de traçar seu próprio caminho.

Para a grande maioria dos portadores de pânico, o tratamento psiquiátrico adequado é imprescindível. Sem um acompanhamento correto, dificilmente a evolução da Síndrome do Pânico evolui de maneira satisfatória.

A notícia boa é que existe tratamento psiquiátrico eficaz, sendo que, quanto mais precocemente for instalado, mais fácil será o controle.

Texto de Cyro Masci publicado originalmente em Infovital

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