E aí, correndo muito?

Resumo

Este texto aborda a pressão social pela constante pressa e produtividade, questionando a crença de que a felicidade e a paz de espírito só podem ser alcançadas no futuro. Ele explora como o equilíbrio entre demandas e aptidões é essencial para a satisfação e sugere a importância de momentos de concentração e aprimoramento pessoal.

Pontos principais

  1. Pressão social pela pressa: A sociedade valoriza a pressa e a produtividade como indicadores de sucesso.
  1. Equilíbrio entre demandas e aptidões: Encontrar satisfação na vida depende de equilibrar as exigências do dia a dia com nossas habilidades.
  1. Perigo da pressa constante: A pressa pode se tornar um fim em si mesma, sem levar a uma verdadeira satisfação.
  1. Importância do aprimoramento: Reservar tempo para atividades realizadas com calma e concentração pode melhorar a qualidade de vida.
  1. Questões de saúde mental: Transtornos como ansiedade e TDAH podem exacerbar a pressa e necessitam de tratamento especializado.

Responda depressa: quantas vezes você teve que responder nos últimos 30 dias à pergunta: “E aí, correndo muito?” ou similares, como “trabalhando muito?” ou qualquer outra pergunta que, em essência, significa que, se você faz as coisas com calma, deve estar doente ou desistiu da vida.

Não sei ao certo a origem dessa crença infundada de que, para ser alguém, é preciso correr. Claro, existem momentos em que, se não se apressar, você perde a oportunidade, mas essa não é uma regra que se aplica o tempo todo.

Parece que estamos sempre buscando a paz de espírito, mas ela só pode aparecer no futuro! Primeiro vem o dinheiro, depois a família, depois a vida social, depois vem o “depois”, que fica sempre para depois, não necessariamente nessa ordem, mas sempre de modo apressado. E a paz de espírito, onde fica? Ou melhor, onde começa? Será que ela existe mesmo?

Grande parte da satisfação na vida vem do equilíbrio entre as demandas do dia a dia e nossas aptidões e habilidades.

Quando as demandas são maiores que nossas aptidões, sentimos sobrecarga. Quando nossas aptidões são maiores que os desafios, sentimos tédio. Equilibrar a falsa exigência de fazer mais em menos tempo com a aptidão de ser rápido é um passo.

Nossa cultura privilegia a pressa. Ela parece aquele pedaço de madeira que jogamos para um cão buscar. Cada vez jogamos mais longe, e o cachorro sai correndo feliz. Agimos assim sem parar para pensar, pois a pressa não permite esse luxo. A maior armadilha da pressa é dar a impressão de que é um meio para chegar a algum lugar, quando na verdade é um fim em si mesma!

Afinal, o que desejamos da vida? O que é realmente importante? Onde está escrito que a felicidade deve ser postergada indefinidamente para jogarmos o jogo da sobrevivência? Quem disse que não é possível ter paz de espírito enquanto se vive o cotidiano?

O truque parece ser mudar o desafio da pressa pelo desafio do aprimoramento. Se não for possível em todos os momentos, ao menos algumas horas do dia devem ser dedicadas a fazer o que for com total concentração, aprimorando aptidões de perseverança e tranquilidade. Se não for possível no trabalho, ao menos em parte do tempo.

Simplesmente faça o que é necessário de modo gradual, sem pressa, ou melhor, sem a ansiedade de querer terminar rapidamente para fazer outra coisa que também deve ser descartada rapidamente, e assim por diante.

A pressa é uma questão de hábito. Mas, para ser verdadeiro, é preciso dizer que pessoas com Transtorno de Ansiedade ou Déficit de Atenção com Hiperatividade muitas vezes são prisioneiras dessa afobação por conta de seu transtorno. Nessas circunstâncias, é imprescindível realizar tratamento especializado.

Se mudanças no estilo de vida não estão conseguindo reduzir a agitação e a pressa exagerada, é tempo de procurar ajuda!


FAQ – Perguntas Frequentes

1. Por que a sociedade valoriza tanto a pressa?

A pressa é frequentemente associada à produtividade e ao sucesso, criando uma crença de que estar sempre ocupado é sinônimo de ser bem-sucedido.

2. Como posso encontrar equilíbrio entre demandas e habilidades?

Identifique suas aptidões e busque alinhar suas tarefas diárias com elas, evitando sobrecarga e tédio.

3. A pressa pode realmente ser prejudicial?

Sim, a pressa constante pode levar ao estresse, à falta de satisfação e à sensação de que a felicidade está sempre no futuro.

4. Como reservar tempo para o aprimoramento pessoal?

Dedique algumas horas do dia a atividades realizadas com total concentração, permitindo-se fazer as coisas com calma e aprimorar suas habilidades.

5. Quando devo procurar ajuda para a pressa excessiva?

Se mudanças no estilo de vida não estão reduzindo a agitação e a pressa, é importante procurar ajuda especializada, especialmente se houver suspeita de transtornos como ansiedade ou TDAH.

cyro masci - psiquiatra sao paulo - ciro novo

Redigido por: Dr. Cyro Masci

Médico psiquiatra · CREMESP 39126 · RQE 9738

Atua com abordagem biopsicossocial e multimodal. Autor dos livros Síndrome do Pânico: Psiquiatria com abordagem médica integrativa, Biostress – Novos caminhos para o equilíbrio e a saúde e Perguntas e Respostas sobre Ansiedade: Informações Práticas e Objetivas. Já lecionou na Faculdade de Ciências Médicas de Santos — UNILUS — e na Universidade Metodista.

Revisado pelo autor. Última atualização em: 20/03/2026.