Narcisista patológico se ama tanto que destrói o outro
A Personalidade Narcisista é um transtorno psiquiátrico que tem como características uma necessidade enorme de ser admirado e adulado, uma opinião pessoal de ser mais e melhor que as outras pessoas e falta de empatia com o próximo.
Um dos problemas do narcisista patológico é tentar fazer com que as pessoa sejam submissas e dependentes, não hesitando em manipular os outros para conseguir obter o que lhes é muito caro: a admiração incontida e o controle sobre as outras pessoas.
Saiba mais sobre como reconhecer e se defender do narcisista manipulador neste recorte de entrevista do médico psiquiatra Cyro Masci ao RDTv.
Rir ainda é um ótimo remédio!!!
Para enfrentar as tensões e a preocupação excessiva, o ideal é dar uma folga para o cérebro e facilitar soluções criativas com uma medida relativamente fácil e muito barata: rir.
É um excelente remédio. O simples fato de utilizar os músculos da face para sorrir é um sinal para o cérebro liberar uma série de hormônios benéficos. Rir estimula o coração e a oxigenação, relaxa a musculatura, além de facilitar a digestão e diminuir a dor, possivelmente por conta da liberação de endorfinas, nossa morfina natural.
O humor bom é aquele que consegue ver o absurdo das situações inerentes à vida e se diverte com isso. Nem todos conseguem alcançar esse nível de qualidade de vida, mas já é um excelente começo rir de incentivos, como comédias, piadas, caricaturas, filmes e desenhos animados.
Desafio
Um experimento feito há alguns anos ilustra bem a importância do humor. Foram fornecidas a algumas pessoas uma caixa de velas, uma caixa de fósforos e uma caixa de tachinhas. A missão de quem recebeu os objetos era fixar uma vela acesa numa parede de cortiça sem permitir que a vela encoste na parede e sem derramar gotas no chão.
Esse desafio foi proposto a dois grupos. O primeiro pensou, pensou e pensou até achar a solução. O segundo foi convidado a assistir filmes de comédia por 30 a 60 minutos antes de tentar matar a charada. A diferença na solução do problema foi bem mais fácil para esse segundo grupo, o que ficou ‘perdendo tempo’ com as comédias.
Algumas pessoas usam o riso para expressar hostilidade, ironia ou raiva pura, em geral levando alguma vítima ao ridículo. Outros riem para esconder medos e ansiedade. Esse tipo de humor não é adequado do ponto de vista biológico. Pode-se até sentir uma certa sensação de alívio, mas a emoção que está por trás predomina na resposta do organismo, e no geral não leva a um estado de saúde.
Convivência difícil
É difícil conviver com quem não tem facilidade em rir da vida. Essas pessoas veem o mundo como uma luta mortalmente séria, dividindo tudo e todos em categorias absolutas do tipo “bom” ou “ruim”, vendo um mundo em preto ou branco, sem perceber as nuances do cinza.
Em geral não conseguem perceber que erros são excelentes oportunidades para aprendizado. Tendem a manter expectativas muito altas e impossíveis de serem alcançadas na íntegra, o queas leva a evitar compromissos que acham difíceis.
Já os bem-humorados conseguem observar o lado curioso, exótico ou inesperado das situações da vida e dão boas risadas das situações e peças que a vida nos prega.
Há várias formas de encarar o humor. Existem os que preferem analisar as situações sociais, muitas vezes satirizando os políticos e aumentando a nossa percepção da realidade social.
Outros elegem o humor intelectual, brincando com a tirania da lógica. Vários preferem rir do sexo, que, quando expresso em ambiente adequado, nos permite relaxar sobre um tópico que deixa muitas pessoas ansiosas. Outros ainda preferem o macabro, desgraças em geral, e com esse humor negro pode ajudar a relaxar nas situações que em geral consideramos estressantes.
Homens X mulheres
Pesquisas indicam que homens preferem o humor agressivo e sexual, enquanto mulheres preferem o humor mais intelectual e defensivo.
Ja pessoas introvertidas tendem a escolher o humor intelectual, defensivo e social, enquanto os extrovertidos tendem ao humor sexual e agressivo.
Os bem-humorados tendem a procurar ativamente o lado engraçado da vida, ou ao menos se deixam levar quando as situações inusitadas aparecem. Em geral, conseguem achar soluções mais criativas e menos desgastantes para os problemas da vida, como o grupo citado no início do texto, que após boas risadas acharam a solução ao desafio com mais facilidade.
Resultado do desafio.
A propósito, a solução para o desafio é esvaziar a caixa de fósforos, fixar a vela na base da caixa, prender com uma das tachinhas a caixa com a vela na parede de cortiça e acender o pavio.
Se já tinha descoberto, pode sorrir. Se não tinha conseguido achar a resposta, sorria com a pegadinha! Sorria sempre que puder! Afinal, rir ainda é um ótimo remédio!!!
Cyro Masci é médico psiquiatra em São Paulo e atua com abordagem médica, que une a medicina convencional com diversas formas de tratamento não convencionais.
Perdas pessoais: o que fazer quando coisas ruins acontecem na nossa vida?
A vida pode mudar em poucos minutos. A morte de uma pessoa querida, o diagnóstico de uma doença grave, um acidente, a perda do trabalho ou o fim inesperado de uma relação podem interromper a sensação de continuidade e segurança.
Nessas situações, é comum sentir que o mundo perdeu sua organização habitual. Tarefas simples podem parecer difíceis, decisões cotidianas podem exigir esforço excessivo e o futuro pode se tornar impossível de imaginar. Essas reações não significam necessariamente fraqueza ou doença. Muitas vezes, representam a resposta esperada do organismo diante de um acontecimento extraordinário.
Cada pessoa atravessa uma perda de maneira própria. A intensidade do sofrimento depende da história individual, do significado daquele vínculo ou projeto, das condições de saúde, da rede de apoio e das circunstâncias em que o acontecimento ocorreu.
O que acontece logo depois de uma perda?
A notícia de uma perda pode provocar choque, descrença, sensação de irrealidade ou dificuldade para compreender o que aconteceu. Algumas pessoas ficam silenciosas e aparentemente distantes. Outras choram, sentem raiva, buscam informações de maneira intensa ou precisam resolver imediatamente questões práticas.
Não existe uma reação única e obrigatória. A aparente tranquilidade inicial não significa ausência de sofrimento, assim como uma reação intensa não indica falta de controle. O organismo pode precisar de tempo para assimilar uma realidade que chegou de forma abrupta.
Por esse motivo, é prudente evitar decisões importantes nos primeiros momentos, sempre que houver possibilidade de adiamento. O choque, a privação de sono e a desorganização da rotina podem reduzir a capacidade de avaliar riscos e consequências.
O luto acontece em fases fixas?
O luto costuma ser descrito por etapas, mas a experiência real raramente segue uma sequência rígida. A pessoa pode alternar entre incredulidade, tristeza, raiva, culpa, saudade, alívio, medo e momentos breves de tranquilidade.
Esses estados podem aparecer no mesmo dia. Uma manhã aparentemente organizada pode ser seguida por uma tarde de intenso sofrimento. Uma lembrança, uma música, uma data ou um objeto podem reativar a dor de maneira inesperada.
Essa oscilação não significa necessariamente que a pessoa esteja voltando ao início. O luto se assemelha mais a uma espiral do que a uma linha reta. Em alguns momentos, é possível cuidar de tarefas concretas. Em outros, o mais necessário é tolerar a tristeza e permitir que ela seja expressa.
Além disso, cada perda possui características específicas. O luto pela morte de alguém não é igual ao luto após uma separação, uma incapacidade física, uma mudança financeira ou a perda de um projeto importante.
Por que a dor pode vir acompanhada de culpa e raiva?
A culpa é frequente quando a pessoa revisa acontecimentos e imagina que poderia ter agido de outra maneira. Perguntas como “e se eu tivesse percebido antes?” ou “por que não fiz diferente?” podem se repetir, mesmo quando não havia controle real sobre o desfecho.
A raiva também pode aparecer. Ela pode ser dirigida a uma pessoa, a uma instituição, à própria vida, a uma condição de saúde ou até a quem morreu. Embora seja desconfortável, essa reação pode fazer parte da tentativa de compreender uma situação que parece injusta ou incompreensível.
A presença de culpa ou raiva não define o caráter de ninguém. Esses sentimentos precisam ser acolhidos e examinados com cuidado, especialmente quando se tornam persistentes, intensos ou acompanhados de autopunição.
O que fazer nos primeiros dias?
Em uma crise, o primeiro objetivo não é resolver toda a vida. É reduzir a desorganização e proteger as necessidades básicas. Alimentar-se de forma possível, beber água, dormir quando houver oportunidade, tomar os medicamentos prescritos e manter algum contato com pessoas confiáveis são medidas importantes.
Também pode ser útil dividir as tarefas em partes pequenas. Questões legais, financeiras, médicas e familiares podem ser organizadas por prioridade, evitando que uma única pessoa fique responsável por tudo.
Quando possível, deve-se adiar decisões irreversíveis tomadas sob forte impacto emocional. Isso não significa interromper providências urgentes, mas buscar apoio para avaliar alternativas e consequências.
A pessoa enlutada não precisa demonstrar força o tempo todo. Permitir momentos de silêncio, choro ou recolhimento pode ser adequado, desde que não se transforme em isolamento completo ou abandono dos cuidados essenciais.
Como ajudar alguém que está sofrendo?
A presença de alguém confiável pode ser mais útil do que frases prontas. Escutar sem interromper, oferecer ajuda prática e respeitar o tempo da pessoa são atitudes simples que podem reduzir a sensação de abandono.
Perguntas concretas costumam facilitar o apoio. É possível perguntar se ela conseguiu comer, se precisa de companhia para uma consulta, se há alguma tarefa que possa ser assumida ou se deseja falar sobre o que aconteceu.
Não é necessário ter respostas para tudo. Muitas vezes, dizer “não sei o que falar, mas estou aqui” é mais acolhedor do que tentar explicar rapidamente o sentido da perda.
Frases como “você precisa ser forte”, “a vida continua” ou “isso aconteceu por uma razão” podem ser recebidas como uma cobrança para interromper o sofrimento. O mesmo vale para comparações com perdas de outras pessoas. Cada experiência possui um significado próprio.
Oferecer apoio não significa exigir que a pessoa melhore rapidamente. Significa mostrar confiança em sua capacidade de atravessar a situação, permanecendo disponível durante os momentos mais difíceis.
Como equilibrar acolhimento e busca de soluções?
O cuidado pode alternar entre dois movimentos. Em períodos de maior estabilidade, é possível estimular medidas concretas, como buscar informações, organizar documentos, marcar consultas ou estabelecer uma rotina mínima.
Nos momentos de maior dor, talvez seja mais adequado diminuir as exigências, oferecer companhia e permitir que os sentimentos sejam expressos. Tentar encontrar soluções quando a pessoa está completamente tomada pelo sofrimento pode aumentar a sensação de incapacidade.
Esse equilíbrio é semelhante a caminhar por um terreno irregular. Em alguns trechos, é possível avançar com firmeza. Em outros, é preciso diminuir o ritmo, recuperar o fôlego e aceitar ajuda para continuar.
Quando a dor do luto merece avaliação médica?
O sofrimento intenso após uma perda pode ser esperado, mas deve ser avaliado quando permanece incapacitante, aumenta progressivamente ou impede a pessoa de realizar cuidados básicos e atividades essenciais.
Também é importante procurar atendimento diante de insônia persistente, perda importante de apetite, crises de ansiedade, sintomas físicos intensos, uso crescente de álcool ou outras substâncias e isolamento prolongado.
A avaliação médica é particularmente necessária quando surgem desesperança profunda, culpa excessiva, sensação de que a vida perdeu todo o sentido ou pensamentos relacionados à morte. Em situações de risco imediato, deve-se procurar um serviço de emergência e acionar uma pessoa de confiança.
A duração do luto não é determinada por um prazo universal. O que importa é observar a intensidade, o impacto na rotina e a capacidade gradual de retomar aspectos da vida, sem exigir que a saudade desapareça.
O que pode ajudar na reconstrução da rotina?
Retomar uma rotina não significa esquecer a perda ou voltar a ser exatamente como antes. A rotina pode oferecer estrutura enquanto a vida interna ainda está desorganizada.
Horários minimamente regulares para dormir e acordar, alimentação possível, caminhadas quando indicadas, contato com pessoas confiáveis e pequenas atividades de cuidado podem funcionar como pontos de apoio.
Rituais também podem ajudar a dar forma à experiência. Uma cerimônia, uma carta, uma conversa, um álbum ou outra forma de homenagem pode permitir que a pessoa reconheça a importância do vínculo e encontre uma maneira própria de preservar sua memória.
Não é necessário transformar o sofrimento em uma lição ou encontrar imediatamente um sentido para o acontecimento. Em alguns casos, a reconstrução começa simplesmente pela capacidade de atravessar um dia de cada vez.
O luto pode ser vivido sem apagar o vínculo?
Sim. A adaptação não exige deixar de amar, esquecer ou agir como se nada tivesse acontecido. É possível continuar sentindo saudade e, ao mesmo tempo, voltar a trabalhar, conviver, planejar e experimentar momentos de alegria.
Sentir algum alívio ou prazer depois de uma perda não significa falta de consideração por quem morreu ou pelo que foi perdido. O organismo precisa de pausas para recuperar energia, e esses momentos não diminuem a importância da experiência.
Com o tempo, a lembrança pode deixar de ocupar todos os espaços e passar a coexistir com novas atividades. A dor pode mudar de intensidade e de forma, ainda que permaneça algum grau de saudade.
Como agir diante de decisões importantes?
Após uma perda, decisões podem ser necessárias, especialmente quando envolvem saúde, moradia, finanças ou responsabilidades familiares. Sempre que possível, é recomendável não enfrentar essas escolhas sozinho.
Conversar com pessoas confiáveis, reunir informações, registrar alternativas e considerar um prazo antes de decidir podem reduzir a impulsividade. Em questões médicas, a equipe responsável deve explicar riscos, benefícios e possibilidades de cuidado.
Também é importante reconhecer a própria vulnerabilidade. Pessoas fragilizadas podem ficar mais suscetíveis a promessas de soluções rápidas, relações de dependência ou propostas que exploram sua necessidade de amparo.
Buscar apoio não representa incapacidade. Em momentos de crise, a rede de proteção funciona como uma estrutura provisória enquanto a pessoa recupera condições para conduzir as próprias decisões.
A dor precisa ser enfrentada sem pressa e sem abandono
Perdas pessoais podem alterar a percepção do presente e do futuro. A reação inicial pode envolver choque, negação, raiva, culpa, tristeza, medo e períodos de aparente tranquilidade. Nenhum desses estados, isoladamente, define o caminho completo do luto.
O mais protetor costuma ser respeitar o ritmo individual, reduzir exigências, cuidar das necessidades básicas, aceitar apoio e buscar soluções em etapas. A recuperação não é uma linha reta, mas pode avançar mesmo quando há dias de piora.
Quando o sofrimento se torna incapacitante, persistente ou acompanhado de risco, uma avaliação médica individualizada é fundamental. O atendimento permite compreender a interação entre a perda, a saúde física, o funcionamento cerebral, a história pessoal e o contexto de vida, orientando o cuidado mais seguro para cada pessoa.
Narcisista se ama tanto que destrói o outro
A Personalidade Narcisista é um transtorno psiquiátrico que tem como características uma necessidade enorme de ser admirado e adulado, uma opinião pessoal de ser mais e melhor que as outras pessoas e falta de empatia com o próximo.
Um dos problemas do narcisista patológico é tentar fazer com que as pessoa sejam submissas e dependentes, não hesitando em manipular os outros para conseguir obter o que lhes é muito caro: a admiração incontida e o controle sobre as outras pessoas.
Saiba mais sobre como reconhecer e se defender do narcisista manipulador nesta entrevista do médico psiquiatra Cyro Masci ao RDTv.
Síndrome de Burnout: 8 sinais e alertas do esgotamento profissional
Embora não existam pesquisas definitivas sobre o número de acometidos, é possível estimar que algo em torno de 30% da população adulta e que trabalha sofra de Burnout. Isso se forem consideradas também as fases iniciais do problema.
Estudos divulgados recentemente, como o realizado pelo instituto Kantar Inclusion Index, com avaliação de 18 mil funcionários de 14 países, inclusive o Brasil, a pesquisa revelou que 29% dizem sentir sintomas ligados ao problema, como fadiga avassaladora ou perda de energia.
Além das perdas financeiras de difícil estimativa, o grande sofrimento de quem padece da síndrome de Burnout leva à necessidade de conhecer os principais sinais e sintomas. Quanto mais precoce a busca para tratamento especializado, melhores as chances de recuperação.
Oito sinais e alertas indicativos de Burnout:
- Grande cansaço e exaustão emocional, que parecem não melhorar com repouso habitual. É como se você fosse um smartphone com a bateria viciada – por mais que recarregue, nunca atinge 100%. Além da necessidade de maior esforço para realizar as atividades profissionais, com dificuldade para permanecer engajado no trabalho, ocorre a exaustão emocional, que é um estado de sentir-se drenado nas energias, sem força, motivação ou esperança de tomar as rédeas da própria vida e seguir em frente.
- Pessimismo, irritabilidade e cinismo são sinais precoces de Burnout. Na verdade, trata-se de uma reação automática do cérebro. É como se ele fosse um guarda-chuva tentando se fechar em meio a uma tempestade de demandas. Assim, o cérebro modifica o estado de humor, que passa a ser irritadiço, ‘pavio curto’, de baixa tolerância numa tentativa automática e inconsciente de afastar as pessoas e situações que estão provocando ou agravando a sobrecarga.
- Perda do foco e concentração. Esse sintoma de Burnout pode se revelar ao se gerenciar várias tarefas, ou ainda apenas quando a pessoa enfrenta aumento na pressão. É como tentar manter o equilíbrio em uma corda bamba enquanto malabaristas jogam mais e mais bolas para você segurar.
- Queda na motivação. O que antes eram situações desafiantes tornam-se problemas chatos, irritantes e sem sentido. É como se o seu trabalho, antes um jardim florescente, agora parecesse um deserto árido. É comum, por exemplo, a experiência de sentir grande desânimo aos domingos, e não se trata da melancolia por acabar o dia de repouso. O motivo principal, e muitas vezes oculto, é a preocupação ou temor de enfrentar uma nova semana de trabalho.
- Mudança nos hábitos de sono. O Burnout pode afetar o sono de duas maneiras. Uma é dificuldade em adormecer devido à preocupação sobre as necessidades do trabalho no dia seguinte – como um hamster preso em uma roda que não para de girar. E o cansaço pode ser tanto que o acometido procura a cama tão logo chegue em casa. A exaustão também torna muitas vezes difícil levantar da cama e encarar mais um dia de trabalho – como se seus lençóis fossem areia movediça.
- Dores e mal-estar. Pesquisas recentes indicam que muitas queixas corporais podem estar relacionadas ao Burnout, como dores de cabeça, no estômago ou desarranjo intestinal. É como se seu corpo fosse um carro com várias luzes de alerta piscando no painel. Pode ocorrer ainda mudança na pressão arterial ou desencadeamento de doenças como diabetes.
- Perda ou redução no prazer no trabalho. Qualquer pessoa envolvida com um trabalho que considere gratificante, realizador, sente satisfação quando metas são atingidas, quando soluções são encontradas, celebrando e sendo cumprimentado pelo bom trabalho. O Burnout solapa o senso de realização pessoal, e quem sofre seus efeitos pode sentir-se insatisfeito, infeliz mesmo, apesar do sucesso. É como um chef que perdeu o paladar – mesmo criando pratos incríveis, não consegue mais sentir o sabor de suas criações.
- Queda na produtividade. A capacidade de realizar o trabalho cai muito, ou exige um enorme esforço para manter a mesma capacidade que tinha antes do Burnout se instalar. É como tentar correr uma maratona com pesos amarrados aos tornozelos. E, para complicar, muitas pessoas nesse estado tentam superar o problema trabalhando mais duro, mais horas, com mais afinco, o que só aumenta a sobrecarga e piora o Burnout.
Quando buscar ajuda para o Burnout
Embora a síndrome de Burnout seja uma enfermidade relacionada ao trabalho, é preciso diferenciar a exaustão que acontece por causa do trabalho da fadiga que pode acontecer no ambiente de trabalho, sem que a atividade seja, necessariamente, a causa principal.
Independentemente da origem, a exaustão não deve ser atribuída como uma consequência óbvia ao estresse. A partir da instalação do Burnout, ocorre comprometimento de vários sistemas de autorregulação do organismo que exigem auxílio externo.
Estresse não é o mesmo que esgotamento profissional, e se há suspeita de Burnout, é hora de procurar profissionais especializados para diagnosticá-lo corretamente e indicar tratamentos que devem ir além dos sintomas, abarcando os diversos fatores que dão origem ao problema.
Por que a depressão afeta mais as mulheres que os homens?
A depressão tornou-se um problema recorrente: atualmente, atinge 4,4% da população mundial, mas, no Brasil, esse percentual sobe para 5,8%, segundo dados da OMS Organização Mundial da Saúde. Além disso, foi possível constatar que a depressão é mais recorrente nas mulheres, para cada homem com depressão, existem duas mulheres com o mesmo problema.
Acredito que existam algumas possíveis causas que, se não são totalmente responsáveis, contribuem de modo significativo para que a doença seja mais recorrente entre elas.
De modo geral, pode-se dizer que fatores sociais, biológicos e emocionais se combinam para, em graus variados, facilitarem o aparecimento da depressão nas mulheres. Outro ponto é a flutuação de hormônios, que é muito mais acentuada no sexo feminino.
Várias hipóteses podem explicar o motivo da diferença evidenciada. Alguns dos motivos mais plausíveis são os seguintes:
Fisiologia
A mulher possui um ciclo mensal de mudanças hormonais. Não é incomum mulheres relatarem alterações no humor que incluem tristeza e depressão perto da menstruação.
Além disso, outras fases da vida feminina também trazem grande impacto. Entre elas, está a gravidez. Alterações de humor, que variam de uma leve melancolia até quadros mais severos de depressão, são comuns após o parto. Aqui também há uma mescla entre fatores sociais e hormonais, que de qualquer modo podem exigir tratamento especializado.
Outro momento da vida relacionado a mudanças no humor e hormônios, e que pode desencadear um quadro depressivo, é a menopausa. Tanto a alteração hormonal, que pode influenciar os transmissores químicos do cérebro, quanto a vivência desse momento na vida de cada mulher, podem contribuir para o aparecimento da depressão.
A mulher diante da sociedade
Para mim está claro que existe uma pressão social enorme na direção do corpo pretensamente ideal da mulher. E o objetivo não é um corpo que transmita saúde, mas de um corpo que esteja enquadrado em expectativas determinadas por preconceitos sociais arraigados, o que pode contribuir para sentimentos depressivos. A busca por um padrão de beleza pode, sim, ter impactos negativos em diferentes fases da vida de uma mulher.
Desigualdade no trabalho
Dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam que mulheres brasileiras estudam mais, ganham menos e passam mais tempo ocupadas com tarefas domésticas do que os homens. Não é à toa que essa situação possa favorecer sentimentos de tristeza.
Além disso, a jornada múltipla, que inclui: trabalho, estudo, cuidados com a casa e pessoal, também podem aumentar o abalo emocional. Ter muitas tarefas e não conseguir conciliá-las pode aflorar o sentimento de culpa e incapacidade.
Referências: https://www.infovital.com.br/artigo/por-que-a-depressao-afeta-mais-as-mulheres-que-os-homens
Consequências dos traumas emocionais.
Os efeitos dos traumas sobre as emoções e comportamento, das situações de vida que causam forte impacto ou choque, é o assunto dessa entrevista do médico psiquiatra Cyro Masci ao RDTv.
Síndrome de burnout, quais são os sinais do esgotamento profissional?
O que é a síndrome de burnout?
A síndrome de burnout, também chamada de esgotamento profissional, corresponde a um fenômeno relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente administrado. A Organização Mundial da Saúde incluiu o burnout na Classificação Internacional de Doenças, a CID-11, como um fenômeno ocupacional, e não como uma doença médica independente.
O quadro costuma envolver três dimensões principais. A primeira é a
exaustão intensa, que pode ser física, mental e emocional. A segunda é o
distanciamento em relação ao trabalho, que pode aparecer como cinismo, irritabilidade ou insensibilidade. A terceira é a
sensação de redução da eficácia e da realização profissional.
O burnout não deve ser confundido com qualquer período de cansaço. Uma semana difícil, uma sequência de prazos ou uma noite mal dormida podem provocar fadiga temporária. No esgotamento profissional, os sintomas persistem, prejudicam o funcionamento e estão relacionados às condições de trabalho.
Como o burnout se instala?
O esgotamento profissional geralmente não surge de um dia para o outro. Ele pode começar com uma fase de dedicação intensa, aumento de responsabilidades e tentativa de compensar as demandas com mais horas de trabalho.
No início, a pessoa talvez perceba apenas redução da produtividade, dificuldade de concentração ou necessidade de maior esforço para realizar tarefas habituais. Em vez de interpretar esses sinais como necessidade de recuperação, pode concluir que precisa trabalhar ainda mais.
Esse aumento de esforço pode produzir um ciclo de desgaste. A pessoa permanece mais tempo conectada, reduz pausas, adia férias e negligencia o descanso. A exaustão se intensifica, o desempenho cai e a queda de produtividade gera ainda mais cobrança.
Com o tempo, o trabalho que antes parecia desafiador pode passar a ser percebido como pesado, irritante ou sem sentido. O cérebro, submetido a demandas contínuas, começa a operar como um sistema em sobrecarga, priorizando a proteção contra novas exigências em vez da criatividade e do envolvimento.
Quais são os principais sintomas?
A exaustão persistente é um dos sinais mais frequentes. A pessoa pode sentir que suas energias foram drenadas e que não consegue se recuperar após uma noite de sono, um fim de semana ou períodos habituais de repouso.
Também podem surgir irritabilidade, impaciência, cinismo, sarcasmo e distanciamento de colegas, clientes ou da própria atividade profissional. Reações que antes não faziam parte do modo de funcionar podem se tornar frequentes.
A motivação tende a diminuir. Tarefas anteriormente gratificantes perdem o sentido, e o início da semana pode ser acompanhado por preocupação, tensão ou sensação de incapacidade para enfrentar novas demandas.
Outros sinais possíveis incluem dificuldades de atenção, memória de trabalho e tomada de decisões, alterações do sono, dores de cabeça, tensão muscular, desconforto gastrointestinal e mudanças no apetite.
Esses sintomas não confirmam burnout isoladamente. Eles também podem ocorrer em depressão, transtornos de ansiedade, insônia, doenças clínicas, uso de medicamentos ou outras condições que precisam ser investigadas.
Como é a exaustão física e mental?
A exaustão física pode aparecer como falta de energia, redução da resistência, sensação de peso no corpo e dificuldade para manter atividades profissionais ou cotidianas.
A exaustão mental tende a afetar a clareza do pensamento, a atenção, a memória de trabalho, a flexibilidade para resolver problemas e a capacidade de organizar prioridades. Uma tarefa simples pode parecer excessivamente complexa quando o cérebro já está ocupado por muitas demandas.
A exaustão emocional pode se manifestar como perda de esperança, tristeza, irritabilidade, ansiedade, sensação de inutilidade ou dificuldade para reconhecer e expressar o que está acontecendo.
Essas dimensões frequentemente se sobrepõem. O corpo, o cérebro e as relações não funcionam como compartimentos isolados. A sobrecarga profissional pode modificar o sono e o humor, enquanto uma alteração do sono pode aumentar a fadiga e reduzir a capacidade de lidar com as exigências do trabalho.
Burnout prejudica a memória e as decisões?
A resposta prolongada ao estresse pode dificultar o funcionamento de redes cerebrais envolvidas no planejamento, na atenção e no controle de impulsos. Quando o organismo permanece em estado de alerta, parte dos recursos mentais é direcionada para detectar problemas e antecipar ameaças.
A memória de trabalho também pode ser afetada. Ela permite manter informações disponíveis por alguns instantes enquanto a pessoa lê, conversa, calcula, planeja ou toma uma decisão.
Preocupações constantes, notificações, múltiplas tarefas e pressão por desempenho fragmentam a atenção. Muitas vezes, a informação não é registrada adequadamente porque a pessoa já estava mentalmente ocupada no momento em que a recebeu.
Isso pode produzir esquecimentos, perda da linha de raciocínio, dificuldade para encontrar palavras e demora para decidir. Essas manifestações não significam necessariamente perda permanente de capacidade, mas merecem atenção quando persistem ou comprometem a rotina.
Qual é a relação entre burnout e sono?
O burnout pode afetar o sono de diferentes formas. Algumas pessoas têm dificuldade para adormecer porque continuam pensando nas tarefas do dia seguinte. Outras acordam durante a noite, despertam muito cedo ou dormem por várias horas sem se sentir recuperadas.
A fadiga intensa também pode levar a pessoa para a cama mais cedo, mas isso não garante um sono reparador. A preocupação com o trabalho pode manter o organismo em estado de alerta mesmo durante o período destinado ao repouso.
Forma-se um ciclo no qual o estresse prejudica o sono e o sono insuficiente reduz a capacidade de concentração, regulação emocional e tomada de decisões. Com menos recursos, as exigências profissionais parecem ainda maiores.
Ronco intenso, pausas respiratórias, engasgos noturnos e sonolência excessiva durante o dia justificam investigação de possíveis alterações respiratórias do sono.
Burnout é igual a estresse?
Não. O estresse é uma resposta do organismo diante de demandas, mudanças ou ameaças. Pode ser breve e desaparecer quando a situação é resolvida ou quando há tempo suficiente para recuperação.
O burnout está relacionado ao estresse crônico do trabalho e envolve um padrão mais persistente de exaustão, distanciamento e redução da eficácia profissional.
Uma pessoa pode enfrentar estresse intenso sem desenvolver burnout. Também pode apresentar sintomas semelhantes aos do burnout por causa de depressão, ansiedade, privação de sono ou doença clínica.
A diferença não depende apenas da intensidade do cansaço, mas da duração, do contexto, da evolução e do prejuízo causado. Por isso, uma avaliação individualizada é mais segura do que tentar concluir pela comparação com listas de sintomas.
Quais fatores aumentam o risco?
O risco pode aumentar quando há excesso de demandas, jornadas extensas, baixa autonomia, pouca clareza sobre as responsabilidades, falta de reconhecimento e relações profissionais marcadas por conflito ou insegurança.
A ausência de pausas, o trabalho permanentemente conectado, a pressão por disponibilidade imediata e a dificuldade de separar vida profissional e pessoal também contribuem.
Características individuais podem influenciar a forma de responder às exigências. Perfeccionismo, dificuldade de estabelecer limites e tendência a assumir responsabilidades excessivas podem aumentar a vulnerabilidade, mas não explicam o burnout sozinhos.
Não é adequado transformar o problema em uma falha pessoal. Um ambiente que exige muito, oferece pouco controle e não permite recuperação pode adoecer pessoas com diferentes perfis.
As mulheres apresentam maior risco?
Mulheres podem estar mais expostas a condições que favorecem o esgotamento, especialmente quando acumulam responsabilidades profissionais, domésticas e de cuidado. Também podem ocupar posições com grande responsabilidade e pouca autonomia para decidir ou modificar processos.
Além disso, fatores como desigualdade salarial, sobrecarga invisível, discriminação e necessidade de demonstrar desempenho continuamente podem contribuir para maior desgaste.
Isso não significa que todas as mulheres tenham o mesmo risco ou que o sexo determine a evolução do quadro. A vulnerabilidade depende da interação entre condições de trabalho, responsabilidades fora dele, saúde física, história individual e rede de apoio.
A avaliação precisa considerar a vida real da pessoa, e não apenas a descrição formal do cargo.
Como reduzir a sobrecarga profissional?
Pausas programadas podem ajudar a reduzir a acumulação de fadiga. O intervalo ideal varia conforme a atividade e as condições individuais, mas interromper períodos longos de concentração antes que o esgotamento se instale costuma ser mais útil do que esperar o limite.
Agrupar tarefas semelhantes também pode diminuir o custo mental das interrupções. Responder mensagens em horários definidos, limitar notificações e reservar períodos para atividades que exigem concentração favorece uma atenção menos fragmentada.
A recuperação precisa incluir sono adequado, alimentação variada, movimento compatível com a saúde e momentos sem exigências profissionais. Atividades de relaxamento, respiração, alongamento e meditação podem ser úteis para algumas pessoas, desde que não sejam utilizadas como substitutos para mudanças necessárias no ambiente de trabalho.
Quando a fonte da sobrecarga permanece intacta, estratégias individuais têm efeito limitado. Em determinadas situações, é necessário conversar sobre distribuição de tarefas, prazos, autonomia, férias, afastamento temporário ou outras medidas de proteção.
O que fazer quando o descanso não é suficiente?
Se a exaustão persiste apesar de pausas e repouso, é importante investigar outras causas. Anemia, alterações da tireoide, apneia do sono, infecções, doenças cardiovasculares, efeitos de medicamentos, uso de álcool, depressão e ansiedade podem produzir sintomas semelhantes.
Também é possível que exista uma combinação de fatores. Uma pessoa pode estar em burnout e apresentar, ao mesmo tempo, insônia ou depressão, o que torna a recuperação mais difícil.
A alimentação equilibrada e a atividade física podem contribuir para a saúde geral, mas não substituem avaliação médica. Isso vale para suplementos, bebidas energéticas e medicamentos utilizados para manter o desempenho.
A persistência dos sintomas é um sinal de que o organismo necessita de investigação, e não de mais cobrança.
Quando procurar avaliação médica?
É recomendável buscar avaliação quando a exaustão dura semanas, interfere no trabalho ou no autocuidado, provoca alterações importantes do sono ou vem acompanhada de perda de interesse, tristeza, ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração.
Também é importante procurar atendimento quando há aumento do consumo de álcool ou estimulantes, uso de medicamentos sem orientação, crises de ansiedade ou incapacidade de interromper o trabalho mesmo diante de sinais claros de esgotamento.
Utilizamos a abordagem biopsicossocial, e você pode conhecer mais
clicando aqui.
Fadiga Crônica e Burnout.
Reportagem do Globo Repórter em que Dr. Cyro Masci participa como entrevistado.
Podcast com Dr Cyro Masci sobre Burnout no Spotify:
Burnout: esgotamento físico e mental https://spoti.fi/3DPjSyf
Burnout: como reconhecer? https://spoti.fi/3uhmBxq
Fadiga, Burnout e Esgotamento https://spoti.fi/3JfVy9Z
Burnout: o que é e qual a importância na vida de cada um https://spoti.fi/3LOm4sE
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual ou Tensão Pré-Menstrual? Entenda as diferenças e quando buscar ajuda
O transtorno disfórico pré-menstrual, conhecido pela sigla TDPM, é uma condição médica que pode provocar alterações intensas de humor, ansiedade, irritabilidade, tristeza, fadiga e mudanças no sono e no apetite durante a fase pré-menstrual.
Embora compartilhe alguns sintomas com a tensão pré-menstrual, o TDPM se diferencia pela intensidade das manifestações e pelo impacto que provoca na vida cotidiana. Em vez de representar apenas um incômodo passageiro, pode comprometer relacionamentos, trabalho, estudos, autocuidado e capacidade de tomar decisões.
O TDPM é reconhecido como uma condição médica nas classificações diagnósticas atuais, incluindo o CID-11 e o DSM-5. Seu diagnóstico exige uma avaliação cuidadosa, porque sintomas semelhantes podem ocorrer em depressão, transtornos de ansiedade, transtorno bipolar, alterações da tireoide e outras condições clínicas.
Qual é a diferença entre TPM e TDPM?
A TPM é comum e pode incluir sintomas físicos, emocionais e comportamentais que aparecem antes da menstruação. Inchaço, dor nas mamas, cefaleia, cólicas, irritabilidade, cansaço, alterações do sono e maior sensibilidade emocional estão entre as manifestações possíveis.
Esses sintomas podem ser desconfortáveis, mas geralmente não provocam prejuízo intenso e persistente no funcionamento. A pessoa consegue manter suas atividades, ainda que com algum incômodo.
No TDPM, as alterações são mais graves. A irritabilidade pode gerar conflitos importantes, a tristeza pode se aproximar de um estado depressivo intenso e a ansiedade pode dificultar tarefas habituais. O critério central não é apenas a quantidade de sintomas, mas a combinação entre intensidade, repetição ao longo dos ciclos e prejuízo na vida.
O TDPM é causado por hormônios em excesso?
Em geral, não. Pessoas com TDPM não apresentam necessariamente níveis anormais de estrogênio ou progesterona. A hipótese mais aceita é que exista uma sensibilidade aumentada às oscilações hormonais normais do ciclo menstrual.
Uma metáfora possível é imaginar duas pessoas expostas à mesma variação de temperatura. Uma permanece confortável, enquanto a outra sente muito frio. A diferença não está necessariamente na temperatura do ambiente, mas na forma como cada organismo responde a ela.
No TDPM, as mudanças hormonais do ciclo parecem influenciar de modo mais intenso circuitos cerebrais relacionados ao humor, à ansiedade, ao sono e à percepção de ameaça. A alopregnanolona, um metabólito da progesterona, também pode participar dessa interação por meio de sua ação em sistemas relacionados ao GABA.
Qual é o papel da serotonina e do GABA?
A serotonina participa de circuitos envolvidos no humor, no sono, no apetite e na regulação emocional. O GABA é um neurotransmissor que reduz a excitabilidade de determinadas redes cerebrais, favorecendo uma espécie de freio para a atividade neuronal.
No TDPM, as oscilações hormonais podem influenciar a comunicação entre esses sistemas e produzir maior irritabilidade, ansiedade, instabilidade emocional e dificuldade para relaxar. Ainda não se trata de uma explicação simples baseada em deficiência isolada de serotonina ou GABA.
O funcionamento cerebral depende de redes integradas. Sono, predisposição genética, experiências de vida, condições clínicas e uso de medicamentos também podem influenciar a intensidade dos sintomas.
Quais são os principais sintomas?
O TDPM costuma envolver alterações emocionais e comportamentais importantes. Podem aparecer irritabilidade intensa, raiva, mudanças bruscas de humor, tristeza acentuada, sensação de desesperança, ansiedade, tensão e sensação de estar fora de controle.
Também podem ocorrer redução do interesse por atividades habituais, dificuldade de concentração, fadiga, alterações do sono, mudança importante do apetite e desejo intenso por determinados alimentos.
Entre os sintomas físicos, estão sensibilidade ou dor nas mamas, inchaço, sensação de aumento de peso, dor muscular ou articular, cefaleia e maior cansaço.
A intensidade dos sintomas varia, mas o padrão cíclico é especialmente relevante. Em geral, as manifestações aparecem na fase pré-menstrual, melhoram após o início da menstruação e ficam ausentes ou muito reduzidas em parte do restante do ciclo.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico não deve ser baseado apenas na lembrança de como a pessoa se sentiu nos últimos meses. Recomenda-se registrar diariamente os sintomas por pelo menos dois ciclos menstruais, anotando humor, irritabilidade, ansiedade, sono, apetite, energia, sintomas físicos e impacto na rotina.
Esse registro ajuda a verificar se existe uma relação consistente entre os sintomas e a fase do ciclo. Também permite distinguir TDPM de condições que permanecem presentes durante todo o mês e apenas se intensificam antes da menstruação.
De acordo com os critérios diagnósticos utilizados na prática médica, é necessário haver um conjunto de sintomas, incluindo pelo menos uma manifestação central relacionada ao humor, irritabilidade, depressão ou ansiedade. Os sinais devem causar sofrimento significativo ou prejuízo no trabalho, nos relacionamentos ou em outras áreas importantes da vida.
O médico também investigará outras possibilidades, como transtorno depressivo, transtornos de ansiedade, transtorno bipolar, alterações da tireoide, anemia, efeitos de medicamentos e uso de substâncias.
O TDPM pode coexistir com outros transtornos?
Sim. Uma pessoa pode apresentar TDPM e também depressão, transtorno de ansiedade, transtorno de pânico ou transtorno bipolar. Nesses casos, é importante observar se os sintomas aparecem somente na fase pré-menstrual ou se permanecem durante o ciclo, com piora em determinados períodos.
Essa distinção influencia o tratamento. Quando uma condição psiquiátrica já existente se agrava antes da menstruação, o cuidado pode ser diferente daquele empregado quando os sintomas aparecem predominantemente na fase pré-menstrual.
O registro diário dos sintomas é uma ferramenta especialmente útil para essa diferenciação.
Quais fatores aumentam a vulnerabilidade?
A predisposição familiar parece participar do risco de desenvolvimento do TDPM. Pessoas com histórico de TDPM, TPM intensa, depressão ou outros transtornos psiquiátricos na família podem apresentar maior vulnerabilidade.
Também podem influenciar a intensidade dos sintomas o estresse prolongado, o sono insuficiente, o sedentarismo, o tabagismo e a presença de outras condições médicas. Esses fatores não são causas únicas, mas podem aumentar a dificuldade de adaptação às oscilações do ciclo.
A relação entre ciclo menstrual e sintomas deve ser analisada de forma individual. Nem toda alteração emocional antes da menstruação representa TDPM.
Quais tratamentos podem ser considerados?
O tratamento depende da intensidade dos sintomas, da presença de outras condições, do desejo de engravidar, do uso de contraceptivos e das características clínicas de cada pessoa.
Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, conhecidos como ISRS, estão entre as opções mais estudadas para o TDPM. Em alguns casos, podem ser usados durante todo o ciclo. Em outros, o médico pode considerar o uso apenas na fase lútea, que ocorre entre a ovulação e o início da menstruação.
A escolha do esquema depende da avaliação médica e não deve ser modificada por conta própria.
Alguns contraceptivos hormonais podem ajudar determinadas pacientes, especialmente formulações específicas. Entretanto, a resposta varia e existem contraindicações que precisam ser avaliadas. O acompanhamento pode envolver psiquiatria e ginecologia.
Em situações selecionadas e de maior complexidade, outras estratégias hormonais ou medicamentosas podem ser consideradas. Estabilizadores de humor não são tratamento de primeira escolha para todos os casos e exigem avaliação criteriosa.
Mudanças na rotina podem ajudar?
Sono regular, atividade física compatível com a condição clínica, alimentação equilibrada e redução do consumo de álcool e tabaco podem favorecer o bem-estar geral. Algumas pessoas também se beneficiam da redução de cafeína, especialmente quando apresentam ansiedade, insônia ou palpitações.
Essas medidas não substituem o tratamento médico e não devem ser apresentadas como solução universal. Seu objetivo é diminuir fatores que podem agravar a irritabilidade, a fadiga e a instabilidade do sono.
Organizar a rotina na fase em que os sintomas costumam aparecer também pode ser útil. Quando possível, a pessoa pode antecipar tarefas, reduzir compromissos não essenciais e comunicar às pessoas próximas que está passando por um período de maior vulnerabilidade.
O que fazer quando os sintomas comprometem os relacionamentos?
Irritabilidade e raiva intensas podem produzir conflitos, culpa e afastamento. Reconhecer o padrão cíclico ajuda a separar a experiência emocional do momento das decisões que terão efeitos duradouros.
Isso não significa ignorar comportamentos agressivos ou deixar de assumir responsabilidades. Significa observar quando os sintomas surgem, evitar decisões irreversíveis durante o pico da crise e buscar ajuda para reduzir a intensidade das manifestações.
Conversas importantes podem ser planejadas para períodos em que os sintomas estejam menos intensos. O apoio de pessoas confiáveis também pode facilitar a adesão ao tratamento e diminuir o isolamento.
Perguntas frequentes
Toda TPM intensa é TDPM?
Não. O diagnóstico depende do padrão dos sintomas, da intensidade, da repetição ao longo dos ciclos e do impacto sobre a vida. A avaliação médica é necessária para diferenciar as duas condições.
O TDPM ocorre apenas em mulheres com alterações hormonais?
Não necessariamente. Os níveis hormonais podem estar dentro do esperado. A característica principal parece ser uma sensibilidade aumentada do cérebro às oscilações hormonais naturais do ciclo.
O TDPM pode causar depressão?
Pode produzir sintomas depressivos intensos e também coexistir com um transtorno depressivo. É importante verificar se a tristeza e a perda de interesse aparecem somente antes da menstruação ou permanecem durante outras fases do ciclo.
Como saber se os sintomas são realmente relacionados ao ciclo?
Registrar os sintomas diariamente por pelo menos dois ciclos pode ajudar a identificar o padrão. Aplicativos podem ser usados, desde que o registro seja detalhado e não substitua a avaliação médica.
O TDPM tem cura?
O TDPM é uma condição que pode exigir acompanhamento continuado. Embora não seja possível prometer uma cura definitiva, existem tratamentos capazes de reduzir os sintomas e melhorar o funcionamento de muitas pacientes.
Qual especialista pode tratar o TDPM?
A avaliação pode envolver psiquiatra, ginecologista e clínico, conforme as necessidades de cada caso. O psiquiatra é especialmente importante quando predominam alterações intensas de humor, ansiedade, irritabilidade ou pensamentos de autolesão.
Conclusão
O transtorno disfórico pré-menstrual é uma condição médica distinta da TPM, marcada por sintomas emocionais, comportamentais e físicos intensos, que aparecem de forma cíclica e podem comprometer significativamente a vida.
Sua origem parece estar relacionada a uma sensibilidade aumentada do cérebro às oscilações hormonais normais do ciclo, com participação de sistemas como serotonina e GABA. O diagnóstico exige registro dos sintomas, análise do padrão menstrual e investigação de outras condições.
Quando as manifestações são intensas ou recorrentes, não é necessário considerá-las uma parte inevitável da vida. Uma avaliação médica individualizada pode esclarecer o quadro e orientar as opções de cuidado mais adequadas.
Cansaço mental:6 dicas para encarar o mal do século XXI
O que é cansaço mental?
Para simplificar, o cansaço mental, também chamado de estafa mental ou exaustão mental, em geral acontece quando o cérebro é sobrecarregado de estímulos ou precisa manter um nível intenso de atividade sem pausas para reparação, sem descanso.
Se você já sentiu cansaço muscular após uma atividade física extenuante, sabe que nosso corpo tem limites e, assim como o músculo exige repouso antes que sofra lesão, também nosso cérebro precisa de certos cuidados para não sofrer sobrecarga.
Muitas vezes o cansaço mental é acompanhado de exaustão emocional, sendo interessante diferenciar os sintomas.
No cansaço mental ocorre comprometimento das chamadas funções executivas do cérebro, como capacidade de pensar com clareza, memória, tomar decisões inteligentes, resolver problemas, flexibilidade mental e também autocontrole dos impulsos emocionais.
Já a exaustão emocional está relacionada com os sentimentos e emoções, principalmente a capacidade de identificar o que está acontecendo, processar seu significado e saber tanto expressar os sentimentos como compreender o “recado” das emoções pessoais. Como resultado, aumentam sentimentos dolorosos como pesar, tristeza, raiva, cinismo inapropriado, irritabilidade, solidão, sentimento de inutilidade ou ansiedade.
Origem do cansaço mental
Um trabalho realizado na Universidade de Singapura avaliou voluntários com idades entre 19 e 25 anos provocando cansaço mental e observando seus efeitos. Os voluntários não puderam dormir por 25 horas, e depois dessa sobrecarga foi solicitado que fizessem tarefas relativamente simples e repetitivas. Durante essas tarefas, os voluntários foram monitorados com equipamento de ressonância magnética funcional.
Foi então constatado que várias regiões do cérebro estavam com sua atividade diminuída, o que acabava provocando lentidão no processo de pensamento e, claro, sensação de sonolência. Como é possível perceber nesse experimento, o cansaço mental é resultado de um desgaste biológico, ela não depende de recursos emocionais, muito menos de força de vontade.
A boa notícia é que existem algumas medidas relativamente simples que podem auxiliar tanto a prevenir quanto a recuperar-se da fadiga mental. Reuni o que considero mais importante em 6 dicas.
1. Dificulte o cansaço mental fazendo pausas periódicas
Num mundo ideal, todos nós teríamos excelentes noites de sono e começamos o dia descansados e motivados para enfrentar os desafios. Convenhamos, isso nem sempre é possível. Para tentar contornar o problema, ou apenas manter a saúde do cérebro, considere a estratégia de fazer pausas periódicas em intervalos planejados, pré programados, e não apenas quando estiver caindo de exaustão.
Sugiro que essa pausa seja feita a intervalos a cada 90 minutos de trabalho focado e intenso, parando por cerca de 15 minutos. Essa estratégia já é utilizada com sucesso por profissionais de alto rendimento, como campeões de xadrez, músicos profissionais ou atletas de ponta.
O modelo proposto é:
– 90 minutos de foco
– 15 minutos de pausa programada
Essa pausa programada visa a recuperação do cérebro, o que pode ser facilitado por respirações controladas, hidratação, contrair e relaxar os músculos do corpo todo.
Esse não é um tempo perdido, é investimento na saúde do cérebro, que poderá atuar com mais eficácia e menor desgaste.
2. Previna o cansaço mental agrupando suas atividades.
Todos nós devemos aprender a realizar várias tarefas ao mesmo tempo, como aqueles artistas de circo que equilibram vários pratos no ar, certo? Errado!!! Existem claras evidências de que esse é um dos caminhos para a fadiga mental. Nosso cérebro nunca consegue realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo, na verdade ele foca em uma, depois muda rapidamente para outra, e assim sucessivamente. Como essa mudança de foco acontece rapidamente, para muitos gera a sensação de que está fazendo várias coisas ao mesmo tempo, o que é falso.
Para facilitar a natureza essencial do cérebro, procure agrupar as tarefas do dia em blocos com categoria similar. Por exemplo, um bloco de tempo para ler e responder mensagens de email ou whatsapp, outro para escrever textos necessários, outro ainda para organizar a papelada, enfim, você entendeu a idéia geral. Foque em assuntos semelhantes, em blocos separados, dando ao cérebro a chance de fazer uma coisa de cada vez.
3. Nutra o cérebro para evitar o cansaço mental.
Nosso cérebro pesa em torno de 2 a 3 % da massa corporal total, mas consome algo como 20% da energia que geramos. E sem nenhum estoque de reserva. Os músculos, por exemplo, possuem uma reserva de energia para o caso de faltar glicose ou oxigênio. Nosso cérebro não tem essa capacidade. Conclusão lógica: mantenha fornecimento constante de nutrientes saudáveis, como minerais, vitaminas, ácidos graxos ou aminoácidos de qualidade.
Um plano alimentar saudável é feito de “comida de verdade”. Em resumo, uma comida verdadeira deve evitar alimentos altamente processados, industrializados. Troque a bolachinha por uma fruta, o embutido por um carnes frescas, não faça pouco caso do ovo, inclua sempre verduras e vegetais variados nas refeições.
De modo geral, não recomendo de modo algum jejum prolongado, ao contrário, sugiro sempre alimentar-se a intervalos de até 3 horas, lambiscando no intervalo uma fruta, uma cenoura baby, um pedaço de queijo ou um punhado de oleaginosas, como castanha do Pará, nozes, pistache, avelã, castanha de caju, macadâmia ou amêndoas.
4. Não confunda energizantes com defatigantes para não piorar o cansaço mental.
Bebidas à base de cafeína, como o café ou as chamadas “bebidas energéticas” podem se tornar uma bomba de efeito retardado para o cérebro.
Cafeína não é energizante, presente no café e em vários refrigerantes, é excitante. Em excesso pode ocasionar sérios problemas de saúde.
Também é preciso não abusar das “bebidas energéticas”, que deveriam ser consumidas apenas em situações muito excepcionais e em pequena quantidade.
Esses excitantes são diluídos ou ingeridos com água, e muitas vezes é essa hidratação que o organismo precisa. Dica: Antes de tomar um energizante, experimente tomar uns 2 copos de água, existe grande chance de estar ocorrendo desidratação leve, o que pode acarretar sofrimento no corpo todo, especialmente no cérebro.
5. Previna o cansaço mental com atividades relaxantes.
É um paradoxo que merece atenção. Muitas pessoas mantêm o cérebro em tal estado de excitação que não se sentem bem quando relaxam. Não é incomum pessoas que mantêm altos níveis de estimulação mental durante a semana queixarem-se de que os finais de semana não são agradáveis, ou mesmo passarem mal, por exemplo, com dores de cabeça e mal estar. Nessas situações, sugiro tentar substituir a estimulação mental por estimulação física, como uma caminhada vigorosa. Ou ir se habituando aos poucos, paradoxalmente, à sensação de tranquilidade.
Meditação é um recurso valioso, mas também pode ser dificultado por excesso de estímulos mentais. As evidências sugerem que a meditação, especialmente a meditação de plena atenção (Mindfulness) é um recurso valioso para manter a saúde do corpo em geral e do cérebro em particular, mas se você estiver viciado em estímulos, talvez tenha que realizar inicialmente intervalos de tempo pequenos de meditação, algo como 3 a 5 minutos, para que o cérebro não sofra com a queda abrupta de hormônios excitatórios que essa atividade promove.
O mesmo se aplica a outras técnicas de relaxamento, como ioga, tai chi chuan, relaxamento muscular progressivo ou massagem.
6. Considere tratamento especializado para recuperar-se do cansaço mental prolongado.
O cansaço, a fadiga e o esgotamento mental roubam não apenas a capacidade de enfrentamento dos desafios diários como pode ter consequências para a saúde física e mental. Se você está experimentando sinais de cansaço prolongado, considere procurar ajuda profissional. Em primeiro lugar é necessário descartar doenças orgânicas, que podem ir desde uma simples anemia, passar por alterações na tireóide ou chegar à Síndrome Pós Covid. Todo médico é qualificado para fazer essa investigação, sendo que o médico psiquiatra, por ser médico e especialista em transtornos emocionais, pode tanto realizar essa investigação clínica quanto avançar no tratamento focado na estafa mental.
O tratamento depende da gravidade do quadro e da orientação do médico que irá assisti-lo(a). Pessoalmente prefiro tentar equilibrar o organismo com mudanças nos hábitos de vida e medicamentos de pouco efeito colateral. Entre esses, é sempre interessante considerar os fitoterápicos, especialmente os do grupo de adaptógenos que, como o nome diz, auxiliam na adaptação do organismo às pressões da vida. Também podem ser úteis nutrientes como vitaminas, aminoácidos ou minerais.
Pessoalmente prefiro tentar essa abordagem inicialmente e, se não resultar em melhora significativa, aí sim cogitar no uso de antidepressivos ou outros medicamentos que atuam no cérebro.
O objetivo do tratamento deve ser interromper o ciclo vicioso do cansaço mental e favorecer a recuperação.
E o parâmetro de melhora é possuir ânimo, disposição e clareza mental para as atividades do dia a dia.
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